Quais as funções da glutamina no organismo?

18 de maio de 2010 por Joana Lucyk Deixe um comentário »

Sempre que ficamos em jejum prolongado ou praticamos atividade física extenuante o consumo de energia pelo organismo é contínuo e muitas vezes maior, como no segundo caso. Como não há energia proveniente da alimentação em ambas as situações, uma via alternativa para o organismo conseguir energia é a oxidação dos aminoácidos presentes nos músculos. A glutamina é o aminoácido mais abundante nessas estruturas: é, então, amplamente solicitada nessas situações. Tanto que  a indústria de suplementação explora bastante a venda deste aminoácido que pode ser apresentado na forma de L-glutamina ou glutamina livre (maioria dos suplementos) ou glutamina dipeptídeo, alpha-cetoglutarato (AKG)  e glutamina malato.

Se o objetivo do indivíduo for diminuir catabolismo muscular a glutamina livre não é a melhor opção. A maior parte da L-glutamina é destinada ao uso das próprias células intestinais: apenas cerca de 20% atinge a corrente sanguínea e poderia, então, ser utilizada com o fim de diminuição de catabolismo proteico. Logo, a L-glutamina desempenha a importante função de reparação da mucosa intestinal: diariamente essa parede se renova e, além de ácido fólico, zinco, fosfatidilcolina, vitamina C, complexo gama orizanol e tantos outros nutrientes, a glutamina representa a principal fonte de energia para os enterócitos. Portanto, é um importante nutriente envolvido na integridade intestinal. A L-glutamina também está envolvida com a atividade imunitária: muitas das células do intestino não são enterócitos mas sim, células do sistema de defesa. Logo, este aminoácido é considerado um nutriente imunomodulador.

Para fins de suplementação em nutrição esportiva, as formas mais indicadas da glutamina são glutamina dipeptídeo, AKG e  malato, que são as mais difíceis de encontrar nos suplementos. Esses tipos de glutamina conseguem ultrapassar a barreira intestinal em quantidade significativa e, então, podem servir de energia para o organismo, minimizando a oxidação de aminoácidos durante a atividade física, ou seja, favorecendo preservação de massa muscular.

Independente da forma utilizada, a glutamina é um nutriente essencial para o equilíbrio orgânico. Porém, não deve ser utilizada de forma desregrada: o seu excesso pode favorecer alterações no pH sanguíneo, constipação intestinal, além de comprometer a absorção de outros aminoácidos.  É importante lembrar que alimentos de origem animal são fontes de glutamina e, portanto, em muitos casos não há necessidade de suplementação.

5 comentários

  1. Ana Cláudia disse:

    Interessante a matéria! É realmente muito importante orientar sobre a forma dos nutrientes nos suplementos e suas funções.

    • Joana Lucyk disse:

      Olá Ana Cláudia,
      Ótimo que tenha gostado. Em breve teremos mais novidades sobre suplementação.
      Obrigada pela visita!
      Abraços,
      Joana Lucyk

  2. Alexandre Rosário disse:

    Olá,

    Então temos os seguintes tipos de glutamina:
    1 – L-glutamina ou glutamina livre (maioria dos suplementos) ou glutamina dipeptídeo
    2 – alpha-cetoglutarato (AKG)
    3 – glutamina malato

    É isso? Ou a glutamina dipeptideo é um outro tipo?

    Onde consigo encontrar as melhores glutaminas?

    Att.
    Alexandre Rosário

    • Joana Lucyk disse:

      Olá Alexandre,
      Glutamina livre e dipeptídeo são 2 tipos diferentes. A primeira é prioritariamente utilizada pelo intestino e a segunda pelos músculos.
      Abraços,
      Joana Lucyk

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