Arquivado em outubro de 2010

Cagaita??

31 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

O cerrado é um dos maiores e mais importantes biomas do Brasil, presente em quase todos os estados brasileiros. Seus frutos possuem características peculiares, diversas formas, cores atrativas e sabores característicos.

A cagaita, fruto da cagaiteira (Eugenia dysenterica), que frutifica de outubro a dezembro, pertence à família das Mirtaceas e representa um dos importantes frutos com potencial de exploração econômica do cerrado. A planta pode ter fim ornamental; sua casca, empregada na indústria do curtume e; o fruto, utilizado como alimento com importantes características funcionais.

A cagaita é um fruto globoso, levemente ácido, de sabor agradável, com coloração amarelo pálido. É bastante sensível à fermentação pela exposição solar. O fruto in natura serve de matéria prima para sorvetes, geleias, infusões, sucos, bolos, balas, pães e compotas. A polpa da cagaita pode ser armazenada congelada por até um ano, sem perdas significativas de suas propriedades nutricionais. Quando fermentado, pode ser empregado na produção de vinagre e álcool.

Esta fruta típica do cerrado apresenta baixo valor calórico: 27,39kcal/100g. Em 100g do fruto, há, em média, 5,4g de carboidratos, 1g de proteínas e 0,2g de lipídios. Dentre suas propriedades funcionais, destaca-se sua ação antioxidante: o fruto é excelente fonte de vitamina C e o extrato etanólico de sua semente é fonte importante de ácido gálico.

Suas flores possuem efeitos positivos sobre a saúde renal. A cagaita, quando fermentada, possui efeitos laxativos, ao contrário de suas folhas, que apresentam efeito antidiarreico. As folhas também tem efeito cicatrizante, além de agir favoravelmente à saúde cardiovascular. Já foram descritas também atividade antifúngica dos constituintes voláteis do óleo das folhas da cagaita.

Portanto, a cagaita, fruto abundante no cerrado, além de já constituir complemento da alimentação da população rural principalmente do centro-oeste, deveria compor também a dieta dos demais indivíduos, dado seu baixo valor calórico, acompanhado de importantes características nutricionais.

Ganho de peso e desfechos gestacionais

27 de outubro de 2010

A identificação do estado nutricional durante a gestação é essencial para corrigir possíveis desvios nutricionais e para traçar condutas dietéticas eficientes que garantam o sucesso da gestação. O diagnóstico e o acompanhamento nutricional da gestante contribuem para a promoção da saúde e para a diminuição de riscos para a mulher e para o bebê, mostrando-se essencial para o estabelecimento de intervenções precoces e eficazes no pré-natal.

O potencial de crescimento fetal normal depende de variáveis biológicas, patológicas e sócio-econômicas. Dentre as condições biológicas, destacam-se a idade e altura maternas, número de partos e sexo do recém nascido; dentre as patológicas, estado nutricional materno inadequado, síndromes hipertensivas da gestação e diabetes gestacional e; dentre as variáveis sociais, destacam-se educação materna, renda familiar e riscos comportamentais como tabagismo que podem estar associados ao estresse psicosocial.

Quanto ao estado nutricional inadequado, tanto o excesso quanto o déficit de peso podem comprometer a saúde do binômio materno-fetal, favorecendo a programação metabólica. A obesidade pode se associar ao diabetes gestacional, hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, hemorragia após o parto, infecções do trato urinário, anomalias e macrossomia fetais, parto prematuro e necessidade de partos cesáreos. Já o baixo peso gestacional se associa pricinpalmente ao baixo peso ao nascer (BPN) e à prematuridade.

Segundo o Institute of Medicine para as mulheres que eram classificadas como baixo peso pelo Índice de Massa Corporal (IMC) antes da gestação, se recomenda o ganho de 12.700g a 18.143g durante todo o período gestacional; para aquelas que iniciaram a gravidez com o peso adequado, de 11.339g a 15.875g; paras que eram sobrepeso antes da gravidez, entre  6.803g e 11.339g e; para as que eram obesas, o ganho ponderal deve ser entre 4.989g e 9.071g durante todo o período gestacional.

Os indicadores antropométricos são úteis para classificar as mulheres em risco nutricional e predizer efeitos adversos tanto para a mãe quanto para a criança. Com a finalidade de se avaliar seguramente o perfil antropométrico das gestantes, o Ministério da Saúde (MS), atualmente, utiliza como referência para este diagnóstico o método de Atalah. Este método se baseia no IMC calculado pela divisão da massa corporal em quilogramas pelo quadrado da estatura em metros, corrigido para a idade gestacional.

A avaliação antropométrica é essencial para o estabelecimento das necessidades nutricionais maternas que possibilitará o adequado desenvolvimento do concepto, uma vez que durante a gravidez o organismo materno passa por diversas alterações fisiológicas para suprir tanto as necessidades maternas quanto fetais. A identificação precoce de inadequação do estado nutricional permite, portanto, melhora da situação nutricional materna e afeta positivamente o resultado da gravidez.

Dieta cetogênica no tratamento da epilepsia

21 de outubro de 2010

A epilepsia, palavra de origem grega que significa “ser tomado”, é um distúrbio neurológico crônico caracterizado por descargas neuronais excessivas, súbitas e temporais que implicam em sintomas complexos como perda de consciência, aumento excessivo ou perda de tônus muscular, transtornos dos sentidos, cefaleia, mialgia, fadiga e mordedura da língua.

A faixa etária mais acometida por esta patologia é a infantil, principalmente abaixo de 2 anos de idade e, o tratamento preferencial é o medicamentoso. Todavia, nos casos de epilepsia refratária, o paciente não responde à terapia medicamentosa e, uma perspectiva no auxílio de seu tratamento é a dieta cetogênica (DC), inicialmente proposta por Wilder, na década de 20.

Existem relatos positivos da DC, com controle total ou parcial das crises em crianças. A DC é hiperlipídica, hipoglicêmica, normoproteica, hipocalórica e promove restrição hídrica. Dessa forma, induz o organismo a produzir uma modificação química resultando em cetose crônica, caracterizada pela excessiva formação de corpos cetônicos. Sugere-se que a cetose aumente a estabilidade neural e os níveis de ácido gama-aminobutírico (GABA), neurotransmissor inibitório, nos terminais nervosos. O efeito sedativo dos corpos cetônicos, sua concentração no plasma, o grau de acidose, a desidratação parcial, a mudança na concentração lipídica e a adaptação metabólica do cérebro são os principais responsáveis pelo controle das crises.

Entretanto, esta é uma dieta pouco palatável com efeitos colaterais e tóxicos ao metabolismo. Efeitos adversos como leucopenia, acidose metabólica, alterações do estado mental, hiperlipidemia, hiperuricemia, hipocalemia, hipoglicemia, desidratação, constipação, diarreia, desmineralização óssea, litíase renal e infecções recorrentes, além da perda de peso, disfunção hepática, hipoproteinemia, acidose renal e complicações cardíacas já foram relatados.

Deve-se destacar que a DC consiste num tratamento restritivo e rígido, com grande número de proibições e diferencia-se extremamente das dietas usuais, representando uma dificuldade para a sua adesão e manutenção, na medida em que dificulta o convívio social, principalmente para as crianças em idade escolar. Apesar de ser uma dieta especial, a DC deve atender os princípios gerais da nutrição, oferecendo energia, proteínas e micornutrientes, mesmo que por meio de suplementos, visando o desenvolvimento e manutenção das condições fisiológicas do paciente.

Crianças menores de 1 ano, principalmente nos primeiros seis meses de vida, não devem ser submetidas a DC, dada a importância do aleitamento materno.

Corticosteroides e metabolismo ósseo

19 de outubro de 2010

Os medicamentos anti-inflamatórios esteroidais ou corticosteroides influenciam a expressão de uma ampla variedade de genes e, portanto, são responsáveis por expressivos efeitos na tratamento de inflamações.

A anti-inflamação destes medicamentos é decorrente da diminuição da acetilação do DNA, com consequente comprometimento na transcrição de genes codificadores das proteínas mediadoras da inflamação. Eles interferem, inclusive, na produção nuclear do NFkappaB, restringindo, assim, a liberação de mediadores responsáveis pela resposta inflamatória.

Entretanto, em decorrência de sua ação nuclear, os efeitos deletérios à saúde com seu uso crônico são inúmeros: hipertensão aterial, glaucoma, catarata, afinamento da pele, acúmulo de gordura na região abdominal, cicatrização deficiente de feridas, arteriosclerose e osteoporose são alguns dos efeitos que podem ser favorecidos, sendo os que mais se relacionam com a Nutrição, são o acúmulo de gordura na região abdominal e osteoporose.

De uma forma ou de outra, o uso crônico de corticosteroides favorece a osteoporose: além de inibir o transporte transcelular ativo de cálcio no intestino, este medicamento interfere na reabsorção renal deste mineral, implicando numa maior excreção de cálcio. Dessa forma, se estimula a secreção de paratormônio (PTH), hormônio responsável pela indução no aumento da absorção intestinal e reabsorção tubular de cálcio. Porém, o PTH também favorece a atividade osteoclástica, isto é, a reabsorção óssea.

Ademais, os corticosteroides influenciam na formação e replicação dos osteoblastos e osteoclastos, agindo sobremaneira no comprometimento da ação osteoblástica. Mais uma vez, a ação osteoclástica é favorecida. Eles também estimulam a gliconeogênese e, com isso, a acidificação sanguinea. Dentre os nutrientes essenciais para modular o pH sanguíneo, destaca-se o cálcio. Portanto, se há acidificação sanguínea, estimula-se, mais uma vez, a produção do PTH e com isso, novamente, a atividade osteoclástica.

O eixo hipotálamo-hipófise-adrenogonadal também sofre com o uso dos corticosteroides, que diminuem a resposta do hormônio luteinizante e do hormônio adrenocorticotrófico, implicando na redução da produção do estrogênio, essencial na formação óssea. Dessa vez a atividade osteoclástica não foi favorecida mas, a osteoblástica, comprometida!

Portanto, de uma forma ou de outra, os corticosteroides agem de forma negativa na saúde óssea. Logo, a fim de minimizar os efeitos deste fármacos que, muitas vezes são necessários, não podemos negligenciar os inúmeros nutrientes envolvidos na formação óssea.

Álcool: metabolismo e consequências

15 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimage.com.br

O álcool ou etanol fornece 7,1kcal/g e representa uma fonte de energia bastante particular, já que não pode ser estocado no organismo. Como se trata de uma substância tóxica, sua eliminação deve ser imediata e, pode ocorrer por três vias, tendo sempre como produto o acetaldeído.

Os efeitos celulares causados pelo álcool dependem da frequência de utilização, volume ingerido e características individuais relacionadas à capacidade de absorção. Quando não há alimentos ingeridos concomitante a ingestão alcoólica, sua velocidade de absorção aumenta expressivamente em decorrência da alta velocidade de esvaziamento gástrico. Bebidas quentes também promovem um pico sanguíneo mais veloz. Todavia, a velocidade de eliminação do álcool é invariavelmente mais lenta do que a velocidade de absorção. Portanto, em maior ou menor grau, o álcool sempre causa prejuízos ao nosso equilíbrio orgânico, pois, seu contato com nossas estruturas celulares é sempre duradouro.

A metabolização do acetaldeído implica em estresse oxidativo; além de favorecer a esteatose hepática, ou seja, o acúmulo de gordura no fígado, cirrose; obesidade, especialmente na região abdominal; aumento do ácido lático; aumento do ácido úrico; além de interferir no metabolismo da serotonina, no tempo de reação e na coordenação motora.

Úlceras estomacais e intestinais também podem ser formadas em decorrência do uso continuado de etanol. Em nível intestinal, o álcool ainda interfere na absorção de nutrientes, como as vitaminas do complexo B, as quais são essenciais para a sua metabolização, além de glicose e aminoácidos.

O sistema reprodutor também pode ser afetado. A ingestão de álcool pode induzir infertilidade, impotência sexual e diminuição do anabolismo protéico nos homens. Em mulheres, alterações  estrogênicas, diminuição na formação óssea e distúrbios menstruais podem ser advindos do consumo do etanol. Na gestação, os efeitos deletérios do álcool são inúmeros.

A quantidade de álcool necessária para alterar o equilíbrio orgânico não é tão alta quanto muitos imaginam: a  partir de 0,4g/kg de peso já é possível observar alterações na performance psicomotora. Em termos práticos, duas latinhas de cerveja já poderiam interferir no equilíbrio de um indivíduo de aproximadamente 80 kg.

Síndrome de Down e sobrepeso

11 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

A Síndrome de Down (SD), que constitui uma das causas mais frequentes de deficiência mental, impõe desafios múltiplos aos acometidos e a todos envolvidos no seu crescimento e desenvolvimento.

Trata-se de uma desordem cromossômica, a trissomia do 21, que é responsável pelo retardo mental e aparência de seus portadores. Além do atraso no desenvolvimento, outros problemas de saúde podem ocorrer com o portador da SD como, por exemplo, hipotonia, cardiopatia congênita, problemas de audição, visão, alterações na coluna cervical, distúrbios da tireoide, problemas neurológicos, envelhecimento precoce e obesidade.

Alguns fatores contribuem para o excesso de peso. O primeiro deles é que muitas crianças com SD não são amamentadas por apresentarem sucção insuficiente devido ao tônus muscular diminuído ou por causa da baixa produção de leite materno, em decorrência do estresse emocional ocasionado pelo impacto da notícia. A ausência de aleitamento materno interfere no amadurecimento do controle neuro-endócrino da fome e saciedade, predispondo os indivíduos que não receberam leite materno exclusivamente até os seis meses a maiores chances de se tornarem obesos.

Ademais, muitos pais de crianças com SD buscam compensar seu erro cromossômico por meio da liberdade irrestrita de suas vontades, em que o ato de comer passa a assumir gigantescas proporções de contribuição para o excesso de peso. Já foi constatado que as crianças com SD obesas apresentam maior necessidade de consumir alimentos extremamente calóricos, ricos em gordura e açúcares quando comparadas com as que possuem peso saudável. E, sem dúvida, este comportamento decorre de interferência familiar.

Outro fator que pode contribuir para o excesso de peso é o padrão de crescimento das crianças e adolescentes portadores de SD. Seu crescimento é caracterizado por uma precocidade de início do estirão e uma velocidade reduzida no crescimento linear que resulta em baixa estatura quando comparado a população geral. A baixa estatura, associada ao comportamento alimentar inadequado, predispõe o indivíduo ao sobrepeso e obesidade.

O excesso de peso constitui fator de agravamento para outras enfermidades que acometem esse grupo populacional, como as cardiopatias e a hipotonia muscular, alem de ser fator de risco para distúrbios metabólicos. Desta forma, a avaliação do estado nutricional e a adequada atitude familiar em relação a alimentação são peças chaves para a qualidade de vida do portador da SD.

A tríade da mulher atleta

7 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

Enquanto exercícios moderados promovem benefícios substanciais à saúde, exercícios intensos podem se relacionar com inúmeros efeitos deletérios a saúde feminina. Muitas atletas desenvolvem desordens alimentares, amenorréia (ausência de menstruação) e osteoporose prematura com a prática intensa de exercícios. Este fato é tão comum que o American College of Sports Medicine o denominou como a “Tríade da Mulher Atleta” (TMA)

A TMA provavelmente ocorre em decorrência de uma nutrição inadequada combinada ao treinamento excessivo pelo qual as atletas são submetidas. Muitas jovens atletas acabam por desenvolver desordens alimentares em consequência à rígida rotina a qual são submetidas, se sentindo controladas em muitos aspectos. Evidências mostram que muitas aderem a dietas com baixa quantidade de gordura, as quais influenciam o ciclo menstrual, tornando-o mais escasso. Além disso, atletas com ingestão calórica insuficiente tendem a apresentar baixos níveis de T3 e níveis elevados de cortisol, que também interferem de forma negativa no padrão menstrual.

Vários mecanismos têm sido descritos para explicar esse fenômeno e, um dos mais importantes se refere à liberação de opioides endógenos, como as beta endorfinas, com a prática intensa de exercícios. Atletas de alto rendimento liberam grande quantidade de  beta endorfinas, as quais influenciam uma diversidade de funções hipotalâmicas, favorecendo alterações na regulação da reprodução, implicando em distúrbio menstrual caracterizado pela diminuição de estrogênio e progesterona.

A produção adequada de estrogênio e progesterona se faz necessária para manter a integridade mineral do osso. O estrogênio atua beneficamente no osso por meio de vários mecanismos que resultam numa ação anti-reabsortiva. A progesterona também age na formação óssea, influenciando a atividade osteoblástica.

Os efeitos benéficos do exercício, portanto, podem ser perdidos nas atletas que desenvolvem amenorréia. Diminuição crônica de estrogênio, que é observada nas mulheres que não possuem um padrão adequado de menstruação, acarreta retardo na maturação de centros ósseos na coluna e predispõe à instabilidade vertebral e curvatura. Foi constatado que a osteoporose prematura em jovens atletas pode ser irreversível mesmo com suplementação de cálcio, reinício da menstruação e terapia de reposição de estrogênio.

Para atletas portadoras de uma ou mais desordens da tríade, o primeiro passo para se contornar tal situação é atingir o peso corporal  ideal ou a porcentagem ideal de gordura corporal. A efetividade da intervenção dietética, entretanto, pode ser limitada para atletas que possuem história de desordem alimentar ou que possuem hábitos alimentares pouco saudáveis. Nutricionistas, profissionais de educação física e psicólogos devem atuar em conjunto no tratamento da TMA.

Elemento tóxico: chumbo

3 de outubro de 2010

O chumbo (Pb) foi um dos primeiros metais pesados a ser identificado. Sua descoberta data de 3500 aC, no Egito. Este elemento tóxico é encontrado difundido no ambiente, em alimentos e bebidas. Nas plantas, pode ser encontrado graças à poluição ambiental, improvável que seja pela extração do solo.

As vias de contaminação são três: via cutânea, ingestão e inalação. A via primária de contaminação são os alimentos e, bons candidatos à contaminação são as frutas, os vegetais folhosos, cereais, moluscos e os vinhos. Para alguns trabalhadores, a via de contaminação é a inalação.

Assume-se que 30% do Pb inalado são absorvidos e, de 5 a 10% do Pb ingerido são absorvidos. Quando absorvido,entra na corrente sanguínea e alcança ossos e tecidos. Pode ser acumulado nos tecidos com o decorrer dos anos, principalmente nos ossos, na aorta, fígado, pulmão, rim, e no baço. É gradualmente excretado via bile no intestino delgado e eliminado pelas fezes. Entretanto, a principal via de excreção é urinária e, portanto, bom marcador bioquímico para avaliação de contaminação por este elemento tóxico é o chumbo urinário.

O sistema nervoso de crianças é muito sensível ao Pb e nos adultos, a exposição excessiva pode ocasionar neuropatologia periférica e/ ou crônica. Corriqueiramente, quando expostos, os adultos desenvolvem hipertensão. A síntese do heme também pode ser comprometida: o Pb, assim como o cádmio e o alumínio, possui afinidade por sítios de ligação enzimáticos, ocupando o local originalmente dos minerais, comprometendo, assim, cascatas de reações bioquímicas no organismo. Portanto, interfere na produção do heme e como consequência gera anemia e, interfere na fixação de cálcio nos ossos, comprometendo a formação óssea.

Além disso, o Pb é classificado como um carcinógeno. Sua toxicidade grave também pode acarretar aborto, esterilidade, mortalidade e morbidade neonatal.

A tolerância ao Pb varia conforme idade, formas, fontes e composição da dieta. As taxas de deposição, retenção e absorção dependem do tamanho da partícula e de sua forma físico-química. Crianças e gestantes são grupo de risco. Na gestação, pelo aumento da necessidade de cálcio, o processo de reabsorção óssea é estimulado e, no caso das mulheres contaminadas, há intensa liberação do chumbo, que pode ocasionar danos diversos tanto na mãe quanto no concepto.