Álcool: metabolismo e consequências

15 de outubro de 2010 por Joana Lucyk Deixe um comentário »

Fonte:www.gettyimage.com.br

O álcool ou etanol fornece 7,1kcal/g e representa uma fonte de energia bastante particular, já que não pode ser estocado no organismo. Como se trata de uma substância tóxica, sua eliminação deve ser imediata e, pode ocorrer por três vias, tendo sempre como produto o acetaldeído.

Os efeitos celulares causados pelo álcool dependem da frequência de utilização, volume ingerido e características individuais relacionadas à capacidade de absorção. Quando não há alimentos ingeridos concomitante a ingestão alcoólica, sua velocidade de absorção aumenta expressivamente em decorrência da alta velocidade de esvaziamento gástrico. Bebidas quentes também promovem um pico sanguíneo mais veloz. Todavia, a velocidade de eliminação do álcool é invariavelmente mais lenta do que a velocidade de absorção. Portanto, em maior ou menor grau, o álcool sempre causa prejuízos ao nosso equilíbrio orgânico, pois, seu contato com nossas estruturas celulares é sempre duradouro.

A metabolização do acetaldeído implica em estresse oxidativo; além de favorecer a esteatose hepática, ou seja, o acúmulo de gordura no fígado, cirrose; obesidade, especialmente na região abdominal; aumento do ácido lático; aumento do ácido úrico; além de interferir no metabolismo da serotonina, no tempo de reação e na coordenação motora.

Úlceras estomacais e intestinais também podem ser formadas em decorrência do uso continuado de etanol. Em nível intestinal, o álcool ainda interfere na absorção de nutrientes, como as vitaminas do complexo B, as quais são essenciais para a sua metabolização, além de glicose e aminoácidos.

O sistema reprodutor também pode ser afetado. A ingestão de álcool pode induzir infertilidade, impotência sexual e diminuição do anabolismo protéico nos homens. Em mulheres, alterações  estrogênicas, diminuição na formação óssea e distúrbios menstruais podem ser advindos do consumo do etanol. Na gestação, os efeitos deletérios do álcool são inúmeros.

A quantidade de álcool necessária para alterar o equilíbrio orgânico não é tão alta quanto muitos imaginam: a  partir de 0,4g/kg de peso já é possível observar alterações na performance psicomotora. Em termos práticos, duas latinhas de cerveja já poderiam interferir no equilíbrio de um indivíduo de aproximadamente 80 kg.

4 comentários

  1. André Luis disse:

    Interessante abordar esse tema, principalmente a questão do estresse oxidativo que deve ser observado mesmo após o fim da exposição ao álcool, devido aos danos hepáticos causados pelo seu efeito residual e também pela capacidade do álcool quando ingerido em excesso, causar “dependência” das mitocôndrias utilizando H como fonte de energia(deixando de utilizar ácidos graxos para produzir energia no ciclo de Krebs), o que leva a redução na oxidação de ácidos graxos e acúmulo de triglicerídeos.
    Parabéns

    • Joana Lucyk disse:

      Olá André Luis,
      Realmente muitos pensam que o efeito do álcool é pontual mas, na verdade, esses efeitos são bastante persistentes.
      Agradeço imensamente as informações complementares.
      Abraços,
      Joana Lucyk

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