Arquivado em junho de 2011

Excesso de cortisol e suas consequências

27 de junho de 2011

O cortisol – hormônio corticosteroide produzido pela glândula supra-renal – está envolvido na resposta ao estresse, regulação da pressão arterial e da glicemia. Sua produção decorre da ação do hormônio liberador de corticortrofina (CRH) em resposta a ação do hormônio hipofisário adrenocorticotrófico (ACTH).

O estresse, seja físico ou mental, é o fator primário na elevação de cortisol: por meio das citocinas no tecido adiposo, o estresse estimula o CRH que, por sua vez, implica na elevação deste hormônio corticosteroide. A privação alimentar, atividade física extenuante e alimentação com elevada carga inflamatória também são fatores estressantes causadores da produção exacerbada de cortisol.

A elevação de cortisol implica na diminuição da testosterona, do hormônio de crescimento e da sensibilidade à insulina. Nas mulheres, ainda favorece o aumento de estrógeno. Ademais, o hipercortisolismo diminui a função imunitária, predispondo o organismo a infecções; favorece reabsorção óssea, aumentando o risco de osteoporose; aumento da glicemia, acompanhada de resistência a insulina; compromete a energia, favorecendo fadiga e irritabilidade; implica na agregação plaquetária e disfunção endotelial, envolvidas na aterosclerose e; no aumento da síntese de proteína C reativa, marcador inflamatório inespecífico preditor de risco de infarto do miocárdio.

Compulsão por doces; retenção hidrossalina; hipertensão; aumento do colesterol e triglicerídeos; elevação da circunferência da cintura; insônia; diminuição da memória e confusão mental também estão entre as consequências do hipercortisolismo.

A análise bioquímica do cortisol pode ser realizada por meio da avaliação do cortisol sérico, urinário ou salivar. O cortisol salivar representa a fração livre deste hormônio e possui boa correlação com o cortisol sérico total e excelente correlação com o cortisol sérico livre. Sua concentração independe do fluxo salivar, é constante e por isso, este é considerado o melhor método laboratorial. Na impossibilidade de realização deste método, recomenda-se o cortisol urinário, que também possui valores constantes e; por último, o sérico: o cortisol circula no sangue ligado à transcortina ou albumina, apenas uma pequena fração encontra-se na forma livre. Dessa forma, suas concentrações plasmáticas são influenciadas pela concentração de suas proteínas transportadoras.

Para a modulação do cortisol, nada melhor que uma alimentação anti-inflamatória e boas doses de calma e paciência!

Atividades biológicas do cromo

21 de junho de 2011

O mineral cromo (Cr), do grego “chroma” – cor – teve sua forma composta descoberta em 1761 e por causa de sua aparência laranja avermelhada foi inicialmente denominado chumbo vermelho da Sibéria.

Este mineral-traço atua em enzimas essenciais para a produção de energia e na normalidade da glicemia – é essencial para a atividade da cromodulina, envolvida na ativação da fosfatase fosfotirosina na membrana dos adipócitos e da tirosina quinase nos receptores insulínicos.

Sua deficiência está relacionada principalmente com a intolerância a glicose. Fadiga, diminuição de sensibilidade de membros inferiores, confusão mental, depressão, desorientação também podem estar presentes. A ansiedade acompanhada da compulsão por carboidratos é um sinal característico de sua carência.

O status nutricional deste mineral traço sofre interferência de anti-inflamatórios não esferoidais, antiácidos e fitatos, presentes em alguns alimentos de origem vegetal. Atividade física, dietas ricas em açúcares simples e estresse aumentam sua excreção urinária. Especula-se que o excesso de ferro também favoreça a deficiência de Cr, já que o Cr compete por um dos locais de ligação da transferrina. Já a suplementação de Cr parece não afetar o estado nutricional em relação ao ferro. Oxalatos e vitamina C são sinergistas na absorção do Cr.

Carnes bovinas, aves e peixes contem de 1 a 2mcg de Cr por porção. Levedo de cerveja é excelente fonte – graças ao Cr este alimento apresenta sabor amargo característico. Grãos e cereais contem maiores quantidades de Cr do que frutas e vegetais. O refinamento de açúcares e grãos depletam Cr. Já alimentos ácidos o acumulam quando aquecidos em recipientes de aço inoxidável.

Homens adultos devem consumir 35mcg de Cr diariamente e mulheres, 21mcg. Se instalada a deficiência, a suplementação deve ser considerada. A dosagem usual varia de 50 a 400mcg/dia, na forma de picolinato de cromo, cromo glicina ou cromo quelado. A ANVISA determina o limite máximo de ingestão de 1000mcg. A suplementação de cromo nunca deve ser feita em jejum. Dessa forma, evita-se a hipoglicemia.

Funcionamento intestinal e alergia alimentar tardia

14 de junho de 2011

A alimentação inadequada, baixa produção de ácido clorídrico, mau funcionamento do pâncreas, motilidade intestinal reduzida, estresse e uso de medicamentos estão entre os principais fatores que comprometem a saúde intestinal, favorecendo a disbiose – estado em que microorganismos de baixa virulência se tornam patogênicos em virtude do desequilíbrio quantitativo e qualitativo que está instalado no nosso intestino, afetando negativamente a saúde humana.

Dessa forma, pode ocorrer a síndrome da hiperpermeabilidade intestinal, caracterizada por um conjunto de condições clínicas que resulta em mecanismos de transporte anormal e destruição da mucosa intestinal, favorecendo a passagem de substâncias que normalmente não entrariam no sistema circulatório. Como conseqüência da disbiose, associada à perda da permeabilidade seletiva ocorre, então, a translocação de toxinas e subprodutos bacterianos; macromoléculas alimentares, alergenos alimentares; metais tóxicos e xenobióticos (substâncias estranhas).

Sintomas diversos e inespecíficos podem ser decorrentes destes dois processos, que são porta de entrada para alergia alimentar tardia. Coceira no ouvido, dores de cabeça, dores musculares, olhos lacrimejantes, tosse crônica, halitose, frequente necessidade de limpar a garganta, aftas, dificuldade para respirar, irritabilidade, coceira genital, concentração ruim, humor lábil e depressão estão entre as manifestações que podem ocorrer na alergia alimentar tardia.

Para tratamento da disbiose intestinal, patógenos, xenobióticos e alergenos alimentares devem ser removidos. Muitas vezes torna-se necessária a restrição de ingestão de proteínas de alto peso molecular, como os laticínios de vaca e cabra e o glúten.

Deve-se, também, reequilibrar as concentrações de ácido clorídrico e enzimas digestivas. Pode-se utilizar enzimas proteolíticas, lipolíticas ou pancreáticas, solução de ácido clorídrico, aloe vera e ervas e temperos para restabelecimento dessas funções.

Probióticos, prebióticos ou simbióticos devem ser reinoculados para garantir um bom perfil da microbiota intestinal e; para finalizar, o reparo da mucosa intestinal é necessário. Nutrientes como glutamina, folato, zinco, fosfatidilcolina, vitamina E, ácido pantotênico estão entre os necessários para a saúde da mucosa intestinal.