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Funcionamento intestinal e alergia alimentar tardia

14 de junho de 2011

A alimentação inadequada, baixa produção de ácido clorídrico, mau funcionamento do pâncreas, motilidade intestinal reduzida, estresse e uso de medicamentos estão entre os principais fatores que comprometem a saúde intestinal, favorecendo a disbiose – estado em que microorganismos de baixa virulência se tornam patogênicos em virtude do desequilíbrio quantitativo e qualitativo que está instalado no nosso intestino, afetando negativamente a saúde humana.

Dessa forma, pode ocorrer a síndrome da hiperpermeabilidade intestinal, caracterizada por um conjunto de condições clínicas que resulta em mecanismos de transporte anormal e destruição da mucosa intestinal, favorecendo a passagem de substâncias que normalmente não entrariam no sistema circulatório. Como conseqüência da disbiose, associada à perda da permeabilidade seletiva ocorre, então, a translocação de toxinas e subprodutos bacterianos; macromoléculas alimentares, alergenos alimentares; metais tóxicos e xenobióticos (substâncias estranhas).

Sintomas diversos e inespecíficos podem ser decorrentes destes dois processos, que são porta de entrada para alergia alimentar tardia. Coceira no ouvido, dores de cabeça, dores musculares, olhos lacrimejantes, tosse crônica, halitose, frequente necessidade de limpar a garganta, aftas, dificuldade para respirar, irritabilidade, coceira genital, concentração ruim, humor lábil e depressão estão entre as manifestações que podem ocorrer na alergia alimentar tardia.

Para tratamento da disbiose intestinal, patógenos, xenobióticos e alergenos alimentares devem ser removidos. Muitas vezes torna-se necessária a restrição de ingestão de proteínas de alto peso molecular, como os laticínios de vaca e cabra e o glúten.

Deve-se, também, reequilibrar as concentrações de ácido clorídrico e enzimas digestivas. Pode-se utilizar enzimas proteolíticas, lipolíticas ou pancreáticas, solução de ácido clorídrico, aloe vera e ervas e temperos para restabelecimento dessas funções.

Probióticos, prebióticos ou simbióticos devem ser reinoculados para garantir um bom perfil da microbiota intestinal e; para finalizar, o reparo da mucosa intestinal é necessário. Nutrientes como glutamina, folato, zinco, fosfatidilcolina, vitamina E, ácido pantotênico estão entre os necessários para a saúde da mucosa intestinal.

Desmame precoce e alergias alimentares

2 de agosto de 2010

A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza o aleitamento materno exclusivo por pelo menos seis meses e complementar até que a criança complete dois anos. O tempo de oferta do leite materno exclusivo parece ter uma estreita relação com o desenvolvimento de alergias, já que nele estão presentes microorganismos e fatores imunitários envolvidos tanto no estímulo ao desenvolvimento da microbiota intestinal quanto no desenvolvimento da própria mucosa intestinal da criança, sendo, portanto, importante fator protetor contra o desenvolvimento destas atopias.

As alergias alimentares, que são dependentes de mecanismos imunitários, são caracterizadas por reação adversa aos alimentos, os quais tem seu potencial alergênico determinado pelo seu peso molecular, resistência ao calor e por enzimas proteolíticas.

Os principais alimentos causadores das alergias são: leite de vaca (β-lactoglobulina e α-lactoalbumina), ovo (ovoalbumina),  peixe (parvalbuminas), frutos do mar (tropomiosinas),  trigo (gliadinas) e amendoim (albuminas). Quando há uma exposição precoce a esses alimentos, suas frações proteicas antigênicas serão mais absorvidas devido à imaturidade da mucosa intestinal da criança, principalmente por aquelas que não desfrutaram do aleitamento materno, conforme recomendação da OMS. A maturidade da mucosa intestinal geralmente é atingida por volta dos quatro anos de idade.

Os sintomas das alergias decorrem de diversos fatores, entre eles a localização do órgão ou o tipo de disseminação da proteína alergênica (sistêmica ou local). Estes sintomas podem afetar desde órgãos do trato gastrintestinal (diarréia, distensão abdominal) até órgãos do sistema respiratório (rinite, asma), pele (urticária) e sistema cardiovascular (choque anafilático), sendo que as reações de caráter anafilático são as que envolvem todos estes sistemas ou o agrupamento de alguns deles, podendo ter consequências fatais. Além disso, a alergia alimentar costuma se associar ao déficit de estatura/peso, já que a absorção adequada de alguns nutrientes torna-se impossibilitada, dificultando assim o crescimento e o ganho de peso adequados.

Por estes motivos, recomenda-se que a introdução da alimentação complementar seja feita após o sexto mês de vida. São recomendações da Academia Americana de Pediatria a introdução de leite de vaca, ovo, peixe e amendoim após o 1º, 2º e 3º anos, respectivamente. Vale ressaltar que é necessário considerar questões como regionalidade,  disponibilidade dos alimentos e  orientação feita durante o desmame ao se determinar o período de introdução destes alimentos e, caso seja constatada a alergia alimentar, o único tratamento eficaz é a retirada do alimento alergênico.