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Elemento tóxico: chumbo

3 de outubro de 2010

O chumbo (Pb) foi um dos primeiros metais pesados a ser identificado. Sua descoberta data de 3500 aC, no Egito. Este elemento tóxico é encontrado difundido no ambiente, em alimentos e bebidas. Nas plantas, pode ser encontrado graças à poluição ambiental, improvável que seja pela extração do solo.

As vias de contaminação são três: via cutânea, ingestão e inalação. A via primária de contaminação são os alimentos e, bons candidatos à contaminação são as frutas, os vegetais folhosos, cereais, moluscos e os vinhos. Para alguns trabalhadores, a via de contaminação é a inalação.

Assume-se que 30% do Pb inalado são absorvidos e, de 5 a 10% do Pb ingerido são absorvidos. Quando absorvido,entra na corrente sanguínea e alcança ossos e tecidos. Pode ser acumulado nos tecidos com o decorrer dos anos, principalmente nos ossos, na aorta, fígado, pulmão, rim, e no baço. É gradualmente excretado via bile no intestino delgado e eliminado pelas fezes. Entretanto, a principal via de excreção é urinária e, portanto, bom marcador bioquímico para avaliação de contaminação por este elemento tóxico é o chumbo urinário.

O sistema nervoso de crianças é muito sensível ao Pb e nos adultos, a exposição excessiva pode ocasionar neuropatologia periférica e/ ou crônica. Corriqueiramente, quando expostos, os adultos desenvolvem hipertensão. A síntese do heme também pode ser comprometida: o Pb, assim como o cádmio e o alumínio, possui afinidade por sítios de ligação enzimáticos, ocupando o local originalmente dos minerais, comprometendo, assim, cascatas de reações bioquímicas no organismo. Portanto, interfere na produção do heme e como consequência gera anemia e, interfere na fixação de cálcio nos ossos, comprometendo a formação óssea.

Além disso, o Pb é classificado como um carcinógeno. Sua toxicidade grave também pode acarretar aborto, esterilidade, mortalidade e morbidade neonatal.

A tolerância ao Pb varia conforme idade, formas, fontes e composição da dieta. As taxas de deposição, retenção e absorção dependem do tamanho da partícula e de sua forma físico-química. Crianças e gestantes são grupo de risco. Na gestação, pelo aumento da necessidade de cálcio, o processo de reabsorção óssea é estimulado e, no caso das mulheres contaminadas, há intensa liberação do chumbo, que pode ocasionar danos diversos tanto na mãe quanto no concepto.

Elemento tóxico: alumínio

27 de julho de 2010

O alumínio (Al) é o segundo elemento mais comum na crosta terrestre e, apesar de ser um metal encontrado em abundância raramente é encontrado livre. Seu isolamento foi conseguido em 1827 por  Friedrich Wöhler.

O Al é um mineral extremamente versátil, entretanto sem nenhuma função essencial em animais ou seres humanos. É utilizado em grande diversidade de produtos como, por exemplo, em pastas de dente, materiais de embalagens, pigmentos de tinta, cosméticos, utensílios de cozinha e aditivos alimentares. Estudos comprovam que a migração de Al de panelas e embalagens pode ser considerada desprezível, salvo nos casos em que se cozinham alimentos ácidos em panelas não revestidas.

O excesso de Al pode  causar consitpação intestinal e cólicas, além decomprometer a absorção de selênio e potássio. Implica, ainda, numa formação óssea diminuída,  na medida em que interfere na ação ostoblástica, favorecendo osteomalácia ou osteopenia.  Anemia microcítica e hipocrômica não acompanhada da deficiência de ferro também é outra consequência bem descrita na literatura. Isso ocorre porque, assim como os outros elementos tóxicos, a Al pode ocupar sítios de ação enzimáticos, comprometendo sucessivas reações bioquímicas no organismo e, dentre eles a eritropoiese. A exposição excessiva de Al também já foi relacionada com a ocorrência de doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer.

Geralmente, bebidas são maiores fontes de Al, seguidas de alimentos de origem animal e vegetal. Consideram-se alimentos com alta concentração de Al de quando os valores ultrapassam 1mg/kg. Leite, produtos lácteos e cereais contribuem com cerca de 60% da ingestão diária deste metal. Gomas e chicletes também são fontes importantes. Porém, indivíduos saudáveis, com função renal bem estabelecida, normalmente conseguem excretar o excesso de Al.

Os riscos são expressivos para aqueles que utilizam habitualmente medicamentos anti-ácidos com Al em sua composição e para os pacientes com insuficiência renal crônica, que podem ter a excreção deste metal comprometida.

Elemento tóxico: cádmio

25 de julho de 2010

Em decorrência da crescente industrialização, a contaminação do meio ambiente por metais pesados atinge uma dimensão mundial jamais vista. Na década de 50, a partir de estranhas epidemias, aumentou-se o interesse pelos metais pesados, dentre os quais se destacam  mercúrio (Hg), chumbo (Pb), arsênico (As),  alumínio (Al) e o cádmio (Cd). Neste texto, nosso foco será este último metal pesado, que foi descoberto em 1817, por Strohmeyer, na Alemanha.

O Cd é amplamente utilizado em revestimento de metais, pois tem ação anticorrosiva. É também empregado na indústria de plásticos, como estabilizadores; em tintas, como pigmento; em baterias e; como contaminantes nos fertilizantes. Vegetais e cereais, portanto,  devem ser consumidos preferencialmente orgânicos: os não orgânicos, assim como crustáceos e moluscos, podem possuir quantidades expressivas de Cd. Entretanto, o Cd inalado é bem mais absorvido que o ingerido, caracterizando os fumantes como os mais suscetíveis à contaminação por este metal pesado.

A meia vida do cádmio no organismo pode variar entre 16 a 33 anos e seus efeitos são diversos: a ingestão de alimentos ou bebidas altamente contaminados pode causar sintomatologia aguda caracterizada por vômitos e diarreia.

Cronicamente, o efeito mais expressivo da intoxicação é a sobrecarga renal, caracterizada por insuficiência renal que leva a perda anormal de proteínas. A contaminação  pode implicar, ainda,  na diminuição da absorção de cálcio e aumento de sua excreção no trato digestório, favorecendo osteoporose e a osteomalácia; anemia ferropriva em decorrência da competição com o ferro; câncer de pulmão e próstata e; a inalação pode causar reação inflamatória aguda nos pulmões, favorecendo cronicamente afecções como bronquite e enfisema. 

O marcador biológico mais sensível para se verificar a contaminação por Cd é o cádmio urinário. Em decorrência de sua meia vida longa, é essencial que tomemos atitudes preventivas à exposição deste metal pesado: uma adequada alimentação, baseada em alimentos orgânicos, com níveis suficientes de zinco, cobre, ferro, cálcio e selênio, mostra-se efetiva na diminuição da absorção deste metal pesado, já que o Cd ocupa sítio de ação das metalotioneínas, que, inicialmente deveriam ser ocupadas por minerais. Portanto, se os seus níveis estiverem adequados, a ligação do Cd a essas enzimas é impedida e com isso, sua excreção, facilitada.

Anemia na gestação

23 de julho de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

A gestação é caracterizada pelo aumento da demanda metabólica materna em decorrência de mudanças fisiológicas que visam garantir o adequado crescimento e desenvolvimento fetal, bem como as reservas biológicas necessárias ao parto, à recuperação pós-parto e ao processo de lactação. Durante este período, estoques insuficientes de micronutrientes ou a sua inadequada ingestão podem resultar em efeitos prejudiciais tanto para a mãe quanto para o feto e, dentre estes micronutrientes se destaca o ferro.

 A deficiência de ferro causa a anemia ferropriva que, do ponto de vista fisiológico, pode ser definida como um estado de deficiência de hemoglobina circulante no sangue para o transporte do oxigênio requerido para a atividade normal de um indivíduo, causando inadequada oxigenação tecidual resultante de uma deficiência na captação, transporte, distribuição e/ou liberação de oxigênio.

A anemia pode ser causada por ingestão inadequada de ferro, deficiência na sua absorção,  metabolização imperfeita, perdas agudas,aumento das necessidades e, ainda, pelo inadequado consumo de micronutrientes participantes da produção de hemoglobina, como as vitaminas A, B2, B6, B9, B12, C e, os minerais cobre e zinco.

A redução na concentração de hemoglobina na gestante resulta em aumento do débito cardíaco a fim de manter um fornecimento adequado de oxigênio via placenta às células fetais. As anemias maternas moderada e grave estão associadas a um aumento na incidência de abortos espontâneos, partos prematuros, baixo peso ao nascer e morte perinatal. Os efeitos no feto podem ser a restrição do crescimento intrauterino, prematuridade, morte fetal e anemia no primeiro ano de vida, devido às baixas reservas de ferro no recém-nascido.

A necessidade de ferro aumenta consideravelmente a partir da 14ª semana de gestação em decorrência da expansão das hemácias, do desenvolvimento do bebê e das estruturas placentárias. A absorção do ferro dietético, que é baixa no início da gestação, aumenta progressivamente chegando a triplicar por volta da 36ª semana. Entretanto, é inviável alcançar o aporte materno de ferro apenas por meio da dieta.

Logo, segundo o Ministério da Saúde, faz-se necessária a suplementação medicamentosa com 30mg/dia de ferro elementar a partir da 20ª semana de gestação para se suprir a recomendação de ingestão diária de 27mg. Numa dieta equilibrada consegue-se uma média de 6mg de ferro em cada 1000kcal consumidas. Portanto, para alcançarmos os 27mg de ferro apenas via alimentação, teríamos de ingerir uma dieta de quase 5000kcal, ou seja, resolveríamos um problema e conseguiríamos outro muito maior!