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Atividades biológicas do pycnogenol

10 de dezembro de 2010

O pycnogel (PYC), extraído da casca do pinheiro Pinus marítima, possui alta capacidade antioxidante. Sua aplicação é vasta: já foi relatada ação benéfica em doenças do sistema imunitário, circulatório, além da aplicação em patologias neurodegenerativas.

O extrato de pycnogenol é rico em flavonóides altamente biodisponíveis e, que agem de forma sinérgica. Os principais fitoquímicos são as procianidinas: biopolímeros com as subunidades catequina e epicatequina, também encontrados no cacau e chá verde e; ácidos fenólicos, representados, especialmente, pelos derivados dos ácidos benzóico e cinâmico.

O PYC tem diversas ações sobre a saúde cardiovascular: antagoniza a ação vasconstritora da adrenalina e noradrenalina; aumenta a atividade da enzima óxido nitrico sintetase endotelial (eNOs), que é constitutiva e favorece vasodilatação; inibe a atividade da óxido nítrico sintetase indutível (iNOs), produzida pelos macrófagos e que implica num aumento do estresse oxidativo e; modula a atividade da enzima conversora de angiotensina. Como resultado, o PYC favorece relaxamento vascular, melhora da microcirculação e permeabilidade capilar.

A ação antioxidante do PYC vai além da modulação da iNOs: ele estimula a expressão de enzimas do sistema antioxidante, participa da varredura de radicais livres, além de atuar na regeneração e proteção das vitaminas C e E, prolongando seus efeitos antioxidantes; o que justifica sua grande aplicabilidade na prevenção e no tratamento das manchas da pele.

Por sua ação na cascata do ácido araquidônico, há evidências da ação do PYC na melhora da função pulmonar em pacientes asmáticos, em decorrência da diminuição da circulação de leucotrienos; de sua ação benéfica em indivíduos com lúpus eritematoso e; em tabagistas, por diminuir concentração de tromboxanos e agregação plaquetária.

Também já foi referida sua ação nas cólicas menstruais, pela ação espasmolítica de alguns de seus compostos fenólicos, além de relatada o efeito positivo no controle de sintomas de portadores de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

A administração do PYC pode gerar desconfortos gástricos em indivíduos mais sensíveis. A dosagem diária utilizada deve ser individualizada e considerar todos os outros nutrientes e substâncias bioativas presentes na dieta.

Propriedades funcionais do vinho

6 de dezembro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

O vinho tinto e o vinho branco são os produtos obtidos pela fermentação alcoólica, total ou parcial, de uvas frescas, esmagadas ou não, ou de mosto de uvas.

Em termos nutricionais, a diferença entre o vinho tinto e o vinho branco é bastante relevante, sendo que o primeiro apresenta quantidade superior de substâncias bioativas em relação ao segundo.

Os principais compostos bioativos encontrados no vinho tinto podem ser divididos em compostos fenólicos, que são relacionados com as características sensoriais dos vinhos e, não fenólicos. Dentre os fenólicos destacam-se flavonóis (rutina, quercetina, campferol, miricetina); antocianinas (cianina, delfinidina, peonina, malvina); flavanóis (catequinas, procianidinas, taninos condensados) e; estilbenos (resveratrol). Dentre os não fenólicos: ácidos benzóicos (gálico, taninos hidrolizáveis); benzaldeídos (vanilina, siringaldeído); ácido cinâmico (p-cumárico, ferúlico, clorogênico, cafêico) e; cinamaldeídos (tirosol)

O potencial antioxidante do vinho varia em função da cepa, método de vinificação e fenólicos totais. A cor do vinho também depende do processo de fabricação: o vinho branco não estabelece contato com a casca da fruta, não sendo, portanto, fonte expressiva de antocianinas.

Esta é a bebida responsável pelo famoso “paradoxo francês”, em que muitos estudiosos creditam ao seu consumo habitual, associado à elevada ingestão de gordura saturada mas, também acompanhado de elevado consumo de frutas e vegetais e ao estilo de vida, a baixa incidência de doenças cardiovasculares. Ainda que existam vieses acredita-se que o consumo de quantidades moderadas de vinho tinto tenha efeito protetor nas coronariopatias, por meio do aumento do HDL colesterol, diminuição da oxidação de LDL, redução do fibrinogênio, redução de agregação plaquetária e aumento de relaxamento vascular.

Segundo a Organização Mundial de Saúde não se deve ultrapassar 30g de álcool por dia, o que equivale, em média, a uma taça de 240mL de vinho tinto. Vale ressaltar que esta recomendação só é válida se o indivíduo tiver uma dieta saudável, com todos os preceitos da boa alimentação. E também vale lembrar que o excesso de álcool se relaciona a inúmeros efeitos adversos relacionados a doenças cardiovasculares, como derrame hemorrágico, hipertensão arterial, arritmia e até, morte súbita. Segundo a American Heart Association estes efeitos já teriam possibilidade de acontecer com o consumo diário de três drinks (42g de ácool). Esta Instituição sugere limitar o consumo de álcool a um drink diário para mulheres (14g de álcool ou 120mL de vinho tinto) e dois drinks diários para homens (28gde álcool ou 240mL de vinho tinto).

Funções biológicas do resveratrol

4 de dezembro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

O polifenol resveratrol é uma fitoalexina encontrada em plantas como o eucalipto e amendoim. Suas maiores concentrações estão nas frutas em tons arroxeados, como mirtillo, amoras, açaí e em especial nas uvas, tanto que é um dos fitoquímicos responsáveis pelas propriedades benéficas já apontadas do vinho tinto.

Nos vegetais, o resveratrol possui a importante função de proteção contra infecções fúngicas. É sintetizado sob duas formas isômeras: trans-resveratrol (trans-3,5,4′-trihidroxiestilbeno) e cis-resveratrol, sendo o isômero trans-resveratrol convertido para cis-resveratrol em presença da luz visível, por ser mais estável.

No nosso organismo, essa substância bioativa desempenha uma série de funcionalidades, dentre as quais atividade anti-inflamatória, antiplaquetária, antioxidante e hormonal.

A atividade anti-inflamatória do resveratrol se deve a sua interferência na ativação da cascata do ácido araquidônico, enquanto inibe a transcrição e atividade da ciclooxigenases 1 e 2. Essas isoenzimas, especialmente a COX 2, estão envolvidas com a resposta inflamatórias: com o estímulo inflamatório, a expressão da COX 2 aumenta por volta de vinte vezes e implica no aumento da produção dos eicosanóides da série inflamatória, dentre os quais se destacam os tromboxanos, que favorecem a agregação plaquetária. Portanto, ao modular negativamente a expressão da COX 2, o resveratrol implica na diminuição da agregação pálquetária, possuindo efeitos anti-coagulantes.

A função antioxidante se deve à inibição da atividade da enzima dioxigenase, lipoxigenase e da NOsintase indutível nos macrófagos, contribuindo dessa forma para o controle do estresse oxidativo. Ademais, favorece a inibição da proteína C-quinase, mediador chave na promoção dos tumores, além de induzir a apoptose, morte programada de células, atuando, assim, como um agente antiproliferativo em alguns tipos de tumores.

O resveratrol ainda é classificado como um fitoestrógeno por apresentar semelhança estrutural com dietilestilbestrol, exercendo ação agonista ao estradiol e, portanto, possuindo ação estrogênio símile, exercendo importante ação principalmente nas mulheres no climatério e menopausa.