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Carboidratos e atividade física

1 de maio de 2011

O consumo adequado de carboidratos favorece a manutenção das reservas de glicogênio muscular, de glicose sanguínea durante o treino e posterior recuperação dos estoques de glicogênio. Sua ingestão diminui consideravelmente a fadiga muscular, comumente relacionada à depleção das reservas musculares e à hipoglicemia que se associa com a inativação de enzimas envolvidas na transferência de energia. Ademais, tanto para a utilização de gordura como fonte de energia (lipólise) quanto para promoção da hipertrofia muscular é imprescindível o consumo deste macronutriente.

A refeição que antecede o evento esportivo deve conter alimentos de alta digestibilidade, fontes de carboidratos e com poucas quantidades de proteínas e lípidios, pois estes permanecem por mais tempo no trato gastrintestinal, favorecendo o restardo do esvaziamento gástrico. Todavia os carboidratos simples devem ser evitados por causarem hipoglicemia reativa durante o exercício, caracterizada por tonturas e náuseas, além de aumentar o catabolismo de glicogênio e inibir a lipólise, ocasionando fadiga precoce.

A frutose pode ser uma alternativa ao oferecimento de carboidratos, pois sua absorção intestinal ocorre mais lentamente quando comparada à glicose e sacarose, porém em alguns indivíduos dores abdominais, diarréia e vômitos podem ocorrer em decorrência da ingestão deste monossacarídeo. Durante exercícios prolongados, com duração superior a uma hora, principalmente os intermitentes e de alta intensidade, a ingestão de carboidratos auxilia na manutenção da glicemia, de glicogênio muscular e no retardo da fadiga, além de prevenir hipogicemia. Após o término da atividade física este macronutriente auxilia na recuperação de reservas energéticas de glicogênio e na recuperação de massa muscular, favorecendo o direcionamento das proteínas para a recuperação das miofibrilas musculares.

Portanto, torna-se fundamental o consumo de carboidratos pré-evento e pós-evento. Durante o treino, a indicação de consumo depende da modalidade física e de sua duração. O ideal é a realização de uma refeição nutricionalmente equilibrada três horas antes da atividade. A escolha das fontes de carboidratos para refeição pré-treino deve respeitar a tolerância individual relacionada às características gastrintestinais.

A ingestão de 60 a 70% do valor calórico total proveniente de carboidratos parece atender a demanda necessária ao treinamento esportivo. No pós-treino, para promover a recuperação muscular e hepática das reservas de glicogênio, é recomendado que o consumo deste nutriente esteja entre 5 e 8g/kg de peso, caso a atividade seja de longa duração e/ou alta intensidade essa necessidade pode chegar até a 10g/kg de peso.

Por que sentimos mais fome no frio?

25 de junho de 2010

Quando estamos expostos à baixa temperatura, perdemos calor pela superfície corporal: quanto maior o frio, maior a perda de calor. A nossa temperatura é programada pelo hipotálamo, o nosso “termostato”, para ficar em torno dos 36,5oC.

No inverno, em decorrência dessa perda aumentada de calor, o organismo gasta mais energia para regular a temperatura corporal. Esta energia é conseguida por meio de dois processos: o primeiro, proveniente da utilização dos estoques de energia corporal. Estocamos energia sob a forma de glicogênio e gordura, entretanto, apenas o primeiro tipo é solicitado nestas situações, já que o tecido adiposo tem a importante função de isolamento térmico. O segundo processo é o efeito térmico dos alimentos: na digestão e metabolização dos alimentos, se libera energia térmica, ou seja, se produz calor. Portanto, quanto maior o consumo de alimentos, maior a produção de calor!

No frio, tendemos a consumir maior quantidade de carboidratos já que dietas baseadas nestes macronutrientes tem maior efeito na termogênese induzida pela dieta. Ademais, como o hipotálamo sai da sua temperatura de equilíbrio, a regulação do centro da fome e saciedade é modificada, com um número maior de receptores de serotonina livres, o que induz a fome. Outro motivo para preferirmos os carboidratos nesta época: eles são o principal macronutriente envolvido na produção da serotonina.

Para driblarmos o excesso de alimentos no inverno, a alimentação deve ser feita em intervalos médios de três horas; devemos incluir na dieta alimentos quentes como sopas, caldos e chás quentes, já que bebidas e alimentos quentes esquentam as mucosas por contato; devemos incluir saladas cozidas variadas, já que os vegetais crus se tornam pouco atraentes nesta época; além disso, respeitando-se as particularidades de cada um, podemos adicionar ao consumo habitual, os alimentos termogênicos, como o café, o chá verde, chá mate, chá preto, cacau em pó, gengibre, pimentas e o guaraná em pó e; como não podia faltar, devemos incluir na dieta habitual os precursores da serotonina: vitamina B6, encontrada em cereais integrais, carnes, leguminosas e levedo de cerveja; magnésio, em cereais integrais e vegetais em tons verdes escuros e; triptofano, em nozes, banana, aipo e cacau.

No inverno, assim como em todas as estações do ano, uma dieta equilibrada e adequada as nossas necessidades garante um melhor controle sobre a fome e sobre o peso corporal!