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Propriedades nutricionais e funcionais do cártamo

6 de agosto de 2010

O Carthamus tinctorius usualmente conhecido como cártamo, açafroa ou falso açafrão possui diversas propriedades nutricionais e suas flores, semente e óleo são, há tempos, empregados com finalidade fitoterápica.

Do cártamo podem ser extraídos mucilagens e flavonóides que, segundo a medicina chinesa, possuem ações cicatrizante e antioxidante; as flores, propriedades emenagoga, laxante, cicatrizante e sedativa, além de originar dois corantes: um amarelo, hidrossolúvel, que pode ser utilizado com fins gastronômicos e outro, vermelho, insolúvel em água, com aplicabilidade em cosmética e tinturaria. Além disso, das sementes do cártamo se extrai o seu óleo, que foi catalogado pela ANVISA, em 2008, como um movo alimento, já que se trata de um produto sem tradição no país.

O óleo de cártamo é rico em vitamina E e em ácido linoleico ou ômega 06 (55-88%).  Como o CLA foi proibido no Brasil, muitos tem explorado a suplementação do óleo de cártamo em sua substituição. Entretanto, segundo a ANVISA, o óleo de cártamo não possui CLA em sua composição, sendo apenas uma matéria-prima utilizada para produção sintética de CLA a partir do ácido linoleico.

É exigência da ANVISA a apresentação de laudo analítico do teor de CLA pelas empresas produtoras das cápsulas de óleo de cártamo que comprove que CLA não foi adicionado, produzido ou concentrado durante o processamento do óleo, já que esta substância não apresenta resultados consistentes e seguros da sua utilização em humanos.

Chama-se atenção, ainda, que os produtos que possuem óleo de cártamo não são registrados com alegações funcionais. Portanto, mais uma vez, devemos ter cuidado e muito senso crítico com o que a mídia divulga e nunca acreditar em soluções milagrosas para a perda de peso. Vale ressaltar que o ômega 06 é um ácido graxo essencial, entretanto, seu excesso, pode favorecer a inflamação subclínica no organismo que se relaciona com divresos problemas e, dentre eles, destaca-se a obesidade.

Ácido linoleico conjugado (CLA): vale a pena?

4 de agosto de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

O ácido linoléico conjugado (CLA) é um termo utilizado para descrever um grupo de isômeros geométricos e posicionais do ácido linoléico, que podem ser produzidos quimicamente ou naturalmente no intestino de animais ruminantes, sendo, portanto, os alimentos com maior quantidade de CLA, as gorduras presentes em carnes de gado e laticínios.

O CLA tem sido considerado um potente agente anti-obesidade. Entretanto, ainda não existem comprovações científicas de que a suplementação com CLA reduza o peso corporal ou o índice de massa corporal em humanos. Existem indícios de que indivíduos pós-obesos, em novo ganho de peso, sejam mais suscetíveis aos efeitos do CLA do que os de peso estável, assim como homens obesos em relação a mulheres obesas. Contudo, essas suposições ainda são inconsistentes.

Os possíveis mecanismos de ação do CLA seriam: a indução da lipólise por catecolaminas, favorecendo redução seletiva de gordura visceral, e indiretamente da gordura abdominal; aumento na atividade da lípase hormônio-sensível, e consequentemente da lipólise em adipócitos, acompanhado por uma maior oxidação de ácidos graxos tanto no músculo esquelético quanto no tecido adiposo, pelo aumento também da atividade da carnitina palmitoil-transferase e; efeito termogênico, possivelmente relacionado à indução na expressão gênica de proteínas desacopladoras (UCPs). Além disso, o CLA possui afinidade de ligação aos receptores de ativação e proliferação peroxissomal (PPARs), que são fatores de transcrição que controlam a beta oxidação, as vias de transporte dos ácidos graxos, e diferenciação de adipócitos.

Efeitos positivos foram observados apenas com altas doses de CLA, tanto que em 2007 a ANVISA proibiu a venda deste produto no Brasil: as doses de suplementação chegavam a ser vinte vezes maiores que o consumo usual da população, gerando riscos.

Alguns efeitos indesejáveis relacionados ao uso do CLA foram encontrados tanto em estudos com humanos quanto em animais e, dentre estes destacam-se: aumento da resistência à insulina, aumento da glicemia e insulina de jejum; elevação da peroxidação lipídica e redução da HDL-colesterol em indivíduos com síndrome metabólica. Fatores estes que poderiam contribuir para o desenvolvimento de doenças crônico não transmissíveis futuramente, dentre elas, a obesidade.