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Elemento tóxico: alumínio

27 de julho de 2010

O alumínio (Al) é o segundo elemento mais comum na crosta terrestre e, apesar de ser um metal encontrado em abundância raramente é encontrado livre. Seu isolamento foi conseguido em 1827 por  Friedrich Wöhler.

O Al é um mineral extremamente versátil, entretanto sem nenhuma função essencial em animais ou seres humanos. É utilizado em grande diversidade de produtos como, por exemplo, em pastas de dente, materiais de embalagens, pigmentos de tinta, cosméticos, utensílios de cozinha e aditivos alimentares. Estudos comprovam que a migração de Al de panelas e embalagens pode ser considerada desprezível, salvo nos casos em que se cozinham alimentos ácidos em panelas não revestidas.

O excesso de Al pode  causar consitpação intestinal e cólicas, além decomprometer a absorção de selênio e potássio. Implica, ainda, numa formação óssea diminuída,  na medida em que interfere na ação ostoblástica, favorecendo osteomalácia ou osteopenia.  Anemia microcítica e hipocrômica não acompanhada da deficiência de ferro também é outra consequência bem descrita na literatura. Isso ocorre porque, assim como os outros elementos tóxicos, a Al pode ocupar sítios de ação enzimáticos, comprometendo sucessivas reações bioquímicas no organismo e, dentre eles a eritropoiese. A exposição excessiva de Al também já foi relacionada com a ocorrência de doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer.

Geralmente, bebidas são maiores fontes de Al, seguidas de alimentos de origem animal e vegetal. Consideram-se alimentos com alta concentração de Al de quando os valores ultrapassam 1mg/kg. Leite, produtos lácteos e cereais contribuem com cerca de 60% da ingestão diária deste metal. Gomas e chicletes também são fontes importantes. Porém, indivíduos saudáveis, com função renal bem estabelecida, normalmente conseguem excretar o excesso de Al.

Os riscos são expressivos para aqueles que utilizam habitualmente medicamentos anti-ácidos com Al em sua composição e para os pacientes com insuficiência renal crônica, que podem ter a excreção deste metal comprometida.

Anti-ácidos e prejuízos nutricionais

13 de julho de 2010

Os medicamentos anti-ácidos são indicados no tratamento de afecções associadas à hiperacidez como acidez gástrica, azia, dispepsia (má digestão), úlcera gástrica e duodenal e refluxo esofagiano.

Tais fármacos são classificados em sistêmicos ou não sistêmicos, conforme seu mecanismo de ação. Os sistêmicos são divididos em duas categorias: os anti-histamínicos H2, que ocupam os receptores H2 e comprometem a etapa inicial da produção do ácido clorídrico, dependente de histamina, gastrina e acetilcolina e; os inibidores das bombas de prótons, que impossibilitam a etapa final da formação do ácido, agindo sobre a bomba de prótons. Já os anti-ácidos não sistêmicos agem imediatamente após seu consumo: são bases fracas, geralmente com magnésio, cálcio, sódio ou alumínio, que reagem com o ácido clorídrico, neutralizando-o e assim, diminuindo a acidez gástrica.

O uso prolongado de anti-ácidos implica numa constelação de prejuízos nutricionais: os não sistêmicos podem favorecer alcalose e, consequetemente, náuseas, cefaléia, fraqueza e diminuição da densidade mineral óssea. Ademais, os que possuem magnésio em sua composição favorecem diarreia e, os com alumínio, constipação, além deste metal pesado ficar disponível para absorção pelo organismo. Já os sistêmicos podem interferir na absorção de outros medicamentos além de exigir do processo de destoxificação: se não tivermos capacidade de destoxificação eficiente, estes medicamentos acabam sendo armazenados nos adipócitos, esimulando respostas metabólicas indesejáveis.

Independente do mecanismo de ação, o uso frequente destes fármacos compromete a digestão de proteínas, que se inicia no estômago, com a ação da pepsina, que tem ativação condicionada à acidez gástrica. Portanto, na presença de anti-ácidos, sistêmicos ou não sistêmicos, limita-se o processo inicial da digestão destes macronutrientes. Com isso, proteínas intactas podem chegar ao intestino favorecendo o processo de disbiose intestinal. Além disso, com o aumento do pH gástrico, compromete-se a absorção de minerais e, dentre as vitaminas, a B12 é a mais prejudicada, já que sua ligação com o fator intrínseco também depende do ambiente ácido.

Como qualquer outro medicamento, os anti-ácidos não são isentos de efeitos adversos. Logo, seu uso deve ser feito apenas sob recomendação médica. Em hipótese nenhuma, devemos prolongar um tratamento por conta própria.