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Alimentação como coadjuvante no tratamento da psoríase

17 de setembro de 2010

A psoríase é doença inflamatória crônica da pele, mediada por células do sistema imunitário, caracterizada por lesões, proliferação celular aumentada e padrões anormais de diferenciação dos queratinócitos. Parece ser decorrente de uma predisposição genética associada a gatilhos ambientais, dentre os quais se destacam tabagismo, álcool, alimentação, infecção, drogas e eventos estressantes.

Como se trata de uma doença inflamatória, é coerente observar que uma dieta anti-inflamatória e antioxidante é um importante coadjuvante no seu tratamento: com a diminuição na ingestão do ácido araquidônico (AA), há menor produção de eicosanoides inflamatórios. A substituição do AA pelo ácido graxo eicosapentaenoico (EPA), encontrado no ômega 03, implica na produção de eicosanoides inflamatórios menos potentes e, portanto, a suplementação de ômega 03 nesta enfermidade parece ser benéfica, assim como o consumo habitual de peixes como atum, sardinha e salmão, fontes de ômega 03.

Dietas vegetarianas também parecem ser benéficas nos portadores de psoríase, visto que há ingestão diminuída de AA e consequente redução na formação dos eicosanoides inflamatórios. Ademais, a dieta hipocalórica favorece a diminuição do estresse oxidativo e, consequentemente, redução da inflamação.

Todos os nutrientes antioxidantes mostram-se como elementos fundamentais no tratamento da psoríase. O selênio, por exemplo, possui propriedades imunomodulatórias e antiproliferativas e, sua carência pode ser fator de risco para o desenvolvimento da psoríase. Fatores como tabagismo e alcoolismo elevam o estresse oxidativo e implicam numa redução dos antioxidantes no organismo. Portanto, indivíduos psoriáticos devem evitar a ingestão de álcool, particularmente, nos períodos de exacerbação da doença.

Já foi evidenciado associação entre a doença celíaca  e  psoríase; entretanto, esta relação ainda é controversa. Quanto à dieta isenta de glúten, sabe-se que esta poderá melhorar  lesões de pele, mesmo em indivíduos não celíacos, mas com anticorpos antigliadina IgG e IgA. Hipóteses como alteração na permeabilidade intestinal, mecanismos imunes e deficiência de vitamina D tem sido propostas.  A vitamina D, assim como o selênio, possui propriedades antiproliferativas, além de ser pró-diferenciativa.

E para não engordar…

18 de agosto de 2010

Para evitar  excesso de peso o que devemos adotar é uma dieta antioxidante e anti-inflamatória! Como vimos, na maioria dos casos, o ganho de peso é decorrente da interação do meio ambiente com a predisposição genética. Seguem quatro passos importantes para evitarmos este problema:

Primeiro: devemos modular a liberação do cortisol. Como? Se alimentando de três em três horas e, garantindo em cada refeição os nutrientes e substâncias bioativas que modulam sua produção. Podemos citar a vitamina C, presente em frutas cítricas, o resveratrol, presente nas uvas roxas, amora, pitanga e açaí e, o beta-sitosterol, presente no abacate.

Segundo: quanto mais natural a alimentação, melhor! Todas as substâncias que entram no organismo que não são nutrientes ou substâncias bioativas, precisam ser excretadas e, para isso, dependemos do processo de destoxificação que acontece principalmente no fígado. Se este processo for incompleto, ativa o PPARgama. Para garantir que este processo seja eficiente necessitamos de vitaminas, minerais, aminoácidos e substâncias bioativas e, para finalizar este processo, dependemos de água. Ou seja, mais uma vez dependemos de uma alimentação saudável e equilibrada. Além disso, os alimentos orgânicos possuem maior quantidade de nutrientes e substâncias bioativas quando comparados aos não orgânicos e, portanto, devemos preferi-los sempre que possível.

Terceiro: Devemos caprichar nos nutrientes e substâncias bioativas antioxidantes e, naqueles que, apesar de não serem antioxidantes, auxiliam na nossa defesa antioxidante. Dentre os antioxidantes destacam-se a vitamina C, presente em frutas cítricas; vitamina E, presente em oleaginosas e óleos vegetais; beta caroteno, em vegetais verdes escuros e vegetais laranjados; luteína e zeaxantina, em vegetais verdes escuros e amarelos; licopeno, presente na melancia, goiaba e tomate e; compostos fenólicos, presentes, por exemplo, nas uvas, jabuticaba, maçã, cebola, temperos naturais, cacau, chá verde, chá branco, frutas crítricas. Os nutrientes que não são antioxidantes mas, são essenciais para o nosso sistema antioxidante enzimático agir são: zinco, presente em carnes e cereais integrais; ferro, presentes em carnes e vegetais verdes escuros; selênio, presente em castanhas e oleaginosas em geral; manganês, presente em cereais integrais e leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico e soja) e; cobre, presente em cereais integrais, oleaginosas, leguminosas e mariscos.

Quarto: devemos garantir uma carga anti-inflamatória na nossa dieta. Como? Mais uma vez, se alimentando de três em três horas; garantindo uma proporção adequada entre ômega 06 e ômega 03. Ambos são essenciais e devem fazer parte da nossa alimentação. Entretanto, o ômega 06 é pró-inflamatório e o 03, anti-inflamatório. A proporão ideal entre eles é de 5:1 de ômega 06 para 03 e, atualmente o que se vê nas dietas ocidentais é uma proporção que chega a 25:1 de ômega 06:ômega 03. Para melhorar esta proporção devemos incluir na alimentação peixes como atum e sardinha e, a linhaça, que é o alimento com a maior quantidade de ômega 03. Além disso, para se ter uma dieta com características anti-inflamatórias, deve-se evitar o consumo de gorduras saturadas, presentes em alimentos de origem animal; gorduras trans, em produtos industrializados e; carboidratos simples, presentes nas farinhas refinadas.

Além da dieta antioxidante e anti-inflamatória, para se otimizar resultados é essencial que se associe a alimentação a atividade física. É importante ressaltar que, se começarmos a nos exercitar sem o suporte de uma dieta antioxidante podemos comprometer os resultados esperados com atividade física.

Por que engordamos??

16 de agosto de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

Em 98% dos casos a obesidade é do tipo poligênica e, para ser desenvolvida, é necessário uma interação entre predisposição genética e fatores externos. Segundo George Bray, “a genética carrega a arma e o ambiente aperta o gatilho”. Na maioria das vezes, portanto, é uma doença endócrino-metabólica crônica e heterogênea, com forte base genética, que se apresenta quando associada a fatores ambientais. Ela é multicausal, sendo decorrente de fatores genéticos e ambientais, dentre os quais destacam-se o desequilíbrio energético e perfil inflamatório da dieta. Apenas 2% dos casos de obesidade são do tipo monogênica, ou seja, independem de fatores externos e ocorrem por causa de mutações genéticas.

O alto teor de gordura saturada, gordura trans, ômega 06 e elevada quantidade de carboidratos simples favorecem esta resposta metabólica no organismo. Nas nossas células nós temos um receptor do tipo TLR que pode ser ativado na presença dessas substâncias e, quando isso ocorre ativa-se dentro da célula um fator de transcrição gênica que é o NFkappaB, altamente inflamatório. O NFkappaB estimula a produção de mediadores inflamatórios no organismo que, dentre outras conseqüências, favorece a liberação do cortisol, hormônio ligado diretamente ao acúmulo de gordura abdominal e envolvido em outras desordens metabólicas como, por exemplo, a resistência a insulina. Outras situações favorecem a liberação do cortisol: jejum prolongado, atividade física extenuante sem uma alimentação prévia adequada e, o stress. Portanto, estas três situações também servem de gatilho para a liberação do cortisol e, consequentemente, desenvolvimento da gordura visceral.

Além disso, quando consumimos altas concentrações de aditivos alimentares como corantes, acidulantes, conservantes, adoçantes sintéticos e agrotóxicos e toxinas como o bisfenol, presente no plástico, se não tivermos um fígado bem funcionante capaz de transformar essas substâncias estranhas em substâncias excretáveis, elas acabam sendo armazenadas nas células de gordura. Chegando lá, se ligam facilmente a um receptor chamado PPARgama que leva a diferenciação de pré-adipócitos a adipócitos, ou seja, favorece o aumento da capacidade de acúmulo de gordura. Antigamente acreditava-se que tínhamos uma quantidade pré-determinada de células adiposas que não podia ser modificada. Hoje, com a obesidade caracterizada como inflamação sub-clínica, tem-se a certeza que fatores externos podem estimular a multiplicação das células adiposas.

Todos estes fatores listados, além da inflamação no organismo, causam o estresse oxidativo, ou seja, favorecem a ação dos radicais livres no organismo. A inflamação sub-clínica anda de mãos dadas com o estresse oxidativo. Tanto que muitas das complicações da obesidade são decorrentes da ação dessas substâncias sobre as nossas estruturas celulares: os radicais livres reagem com nossas estruturas comprometendo as funções de nossas células. Portanto, precisamos de uma dieta antioxidante e anti-inflamatória!

A nutrição no tratamento da dor

22 de maio de 2010

Independente do tipo de dor, a nutrição é uma grande aliada na diminuição dessa sensação desagradável. A dieta pode trazer características inflamatórias e anti-inflamatórias e, quando ela tem perfil inflamatório, ou seja, grande quantidade de gordura trans, gordura saturada, carboidratos simples e ômega 06, a hiperalgesia é favorecida. Isso ocorre porque essas substâncias favorecem a ativação de fatores de transcrição nucleares inflamatórios que estimulam a expressão de mediadores pró-inflamatórios que, simplificando, são os responsáveis por aqueles sintomas desagradáveis da inflamação: calor, rubor, tumor e a dor.

O ômega 06, presente em alimentos como os óleos vegetais, milho, linhaça e gergelim é um ácido graxo essencial para a vida, ou seja, dependemos dele para termos qualidade de vida. Todavia, seu excesso favorece a inflamação no organismo. Portanto, o importante é equilibrar o seu consumo com o ômega 03, que é anti-inflamatório. A proporção adequada de ômega 6 para ômega 3 deveria ficar em 5:1, entretanto alguns estudos mostram que muitos indivíduos exageram no consumo de ômega 6, chegando a proporção de 20, 30:1, isto é, consomem uma dieta altamente inflamatória. O óleo de milho e girassol são exemplos de alimentos riquíssimos em ômega 06.

Assim como a dieta pode favorecer a inflamação, ela também pode favorecer a anti-inflamação. Os principais nutrientes que diminuem a inflamação são: o ômega 03, presente na linhaça, canola, semente de abóbora, gema de ovo, peixes como atum e sardinha, brócolis e, cassis e; a vitamina E, presente em todos os óleos vegetais e oleaginosas. Além desses nutrientes, a vitamina C, o betacaroteno, zinco, ferro, cobre, manganês, selênio, enquanto participantes do sistema antioxidante, também atuam como coadjuvantes no tratamento da dor.  Além dos nutrientes, substâncias bioativas como as presentes na cebola, no alho, aipo, tomate, cupuaçu, nas uvas roxas, soja e no pimentão vermelho também atuam no controle da hiperalgesia.

Portanto, como pode-se perceber, nenhum alimento é fonte exclusiva de substâncias anti-inflamatórias e inflamatórias mas, equilibrar o consumo destas substâncias fica fácil, se tivermos uma dieta saudável. Mais uma vez, o que devemos garantir para o nosso organismo é o equilíbrio nutricional!