A transição nutricional, marcada pelas mudanças de hábito alimentar e estilo de vida, favoreceu o aumento de doenças crônico não transmissíveis como a Síndrome Metabólica (SM), caracterizada por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, tais como hipertensão arterial, obesidade central, dislipidemia e alteração do metabolismo da glicose.
Segundo o International Diabetes Federation (IDF), para um indivíduo ser portador de SM, deve apresentar pelo menos três fatores, sendo que obrigatoriamente a obesidade central, representada pela circunferência da cintura com medida igual ou maior a 90 cm, se sexo masculino, e igual ou maior a 80 cm, se sexo feminino, deverá estar presente. Os outros parâmetros que devem ser considerados são: triglicerídeos > 150 mg/dL ou medicamento que o mantenha em nível normal; HDL < 40 mg/dL, se homem e < 50 mg/dL, se mulher, ou medicamento que o mantenha em nível normal; pressão arterial sistólica > 130 mm Hg ou a diastólica > 85 mm Hg, ou uso de anti-hipertensivo que mantenha a pressão em nível normal; glicose em jejum > 100 mg/dL ou diagnóstico prévio de diabetes mellitus tipo 2.
A obesidade central é fator determinante para SM pois o tecido adiposo intra-abdominal não é apenas um reservatório de energia, mas sim um órgão secretor de adipocinas que agem sistemicamente, participando da regulação de processos como a função endotelial, importante para o controle da pressão, aterogênese, regulação do balanço energético e sensibilidade à insulina.
Além disso, no tecido adiposo visceral há maior concentração da enzima 11b-hidroxisteróide desidrogenase tipo 1 (11bHD1), responsável pela conversão de cortisona em cortisol em nível tecidual que, em conjunto das citocinas secretadas pelo tecido adiposo, como interleucina 6 e fator de necrose tumoral alfa, também favorece o aumento da circunferência da cintura, resistência à insulina e a hipertensão.
Portanto, para a manutenção da circunferência da cintura nas medidas ideais, é essencial modular a produção de cortisona e controlar a atividade inflamatória subclínica, decorrente da ação das adipocinas, cortisol e citocinas. Para isso, devemos adotar uma dieta anti-inflamatória e antioxidante, com adequados intervalos entre as refeições.

