Nos pacientes com obesidade mórbida, a abordagem clínica é muitas vezes ineficaz e a cirurgia bariátrica se apresenta como importante opção de tratamento. A Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade define critérios de inclusão para indicação de tratamento cirúrgico, de acordo com a gravidade da obesidade: presença de morbidade, resultado da obesidade ou agravada por ela; persistência de excesso de peso em pelo menos 45 Kg, ou índice de massa corpórea acima de 40 kg/m2; fracasso de métodos conservadores bem conduzidos de emagrecimento; ausência de causas endócrinas de obesidade; avaliação favorável das possibilidades psíquicas de o paciente suportar as transformações radicais de comportamento imposta pela operação são fatores a serem considerados na indicação de cirurgia bariátrica.
As cirurgias bariátricas podem são classificadas conforme seu princípio de funcionamento, podendo ser divididas em restritivas, disabsortivas e mistas.
As disabsortivas, como a cirurgia de Payne ou By Pass jejuno–ileal, foram abandonadas na década de 70, em decorrência das complicações metabólicas. Este tipo de intervenção permitia ao paciente se alimentar, porém interferiam na absorção dos nutrientes. O princípio fundamental desta cirurgia era basicamente a perda de energia pelas fezes. As complicações ocorriam principalmente em virtude da grande quantidade de intestino desfuncionalizada que acarretava em um crescimento bacteriano exagerado no segmento intestinal excluído do trânsito alimentar. Como conseqüência, elevada incidência de complicações digestivas e extradigestivas, tais como diarreias incapacitantes, desnutrição, cirrose, pneumatose intestinal e artrites.
As cirurgias restritivas baseiam-se na redução mecânica da capacidade do estômago em receber alimentos, impedindo o paciente de ingerir grandes volumes num curto espaço de tempo. A banda gástrica ajustável e a gastroplastia vertical com bandagem ou cirurgia da Mason são exemplos desta técnica, que limita a capacidade de ingestão de alimentos sólidos nas refeições. Dessa forma, o indivíduo consome menos sólidos e pastosos e consequentemente emagrece. O resultado, no entanto, depende da colaboração do paciente.
As cirurgias mistas associam restrição e disabsorção em maior ou menor grau do intestino, dependendo da técnica empregada e da extensão de intestino delgado excluído do trânsito alimentar. By Pass gástrico com reconstituição do trânsito intestinal em Y de Roux, Cirurgia de Scopinaro, de Capella, Procedimento de Fobi e Cirurgia Duodenal-Switch são exemplos do emprego desta técnica que, além da restrição mecânica, restringe a alimentação por um mecanismo funcional do tipo Dumping – mal estar provocado pela ingestão de alimentos líquidos ou pastosos hipercalóricos – e, ainda, pela exclusão de parte do estômago do trânsito alimentar. Com isso, o hormônio grhelina, produzido no estômago, indutor de apetite, tem sua liberação minimizada.
Além dos métodos restritivos, disabsortivos e mistos, há o método endoscópico, em que um balão com cerca de 500mL de líquido é colocado dentro do estômago, diminuindo a capacidade gástrica e agindo favoravelmente à saciedade. Apesar de simples, este método também não é desprovido de complicações.


