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Tipos de cirurgia bariátrica

4 de novembro de 2010

Nos pacientes com obesidade mórbida, a abordagem clínica é muitas vezes ineficaz e a cirurgia bariátrica se apresenta como importante opção de tratamento. A Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade define critérios de inclusão para indicação de tratamento cirúrgico, de acordo com a gravidade da obesidade: presença de morbidade, resultado da obesidade ou agravada por ela; persistência de excesso de peso em pelo menos 45 Kg, ou índice de massa corpórea acima de 40 kg/m2; fracasso de métodos conservadores bem conduzidos de emagrecimento; ausência de causas endócrinas de obesidade; avaliação favorável das possibilidades psíquicas de o paciente suportar as transformações radicais de comportamento imposta pela operação são fatores a serem considerados na indicação de cirurgia bariátrica.

As cirurgias bariátricas podem são classificadas conforme seu princípio de funcionamento, podendo ser divididas em restritivas, disabsortivas e mistas.

As disabsortivas, como a cirurgia de Payne ou By Pass jejuno–ileal, foram abandonadas na década de 70, em decorrência das complicações metabólicas. Este tipo de intervenção permitia ao paciente se alimentar, porém interferiam na absorção dos nutrientes. O princípio fundamental desta cirurgia era basicamente a perda de energia pelas fezes. As complicações ocorriam principalmente em virtude da grande quantidade de intestino desfuncionalizada que acarretava em um crescimento bacteriano exagerado no segmento intestinal excluído do trânsito alimentar. Como conseqüência, elevada incidência de complicações digestivas e extradigestivas, tais como diarreias incapacitantes, desnutrição, cirrose, pneumatose intestinal e artrites.

As cirurgias restritivas baseiam-se na redução mecânica da capacidade do estômago em receber alimentos, impedindo o paciente de ingerir grandes volumes num curto espaço de tempo. A banda gástrica ajustável e a gastroplastia vertical com bandagem ou cirurgia da Mason são exemplos desta técnica, que limita a capacidade de ingestão de alimentos sólidos nas refeições. Dessa forma, o indivíduo consome menos sólidos e pastosos e consequentemente emagrece. O resultado, no entanto, depende da colaboração do paciente.

As cirurgias mistas associam restrição e disabsorção em maior ou menor grau do intestino, dependendo da técnica empregada e da extensão de intestino delgado excluído do trânsito alimentar. By Pass gástrico com reconstituição do trânsito intestinal em Y de Roux, Cirurgia de Scopinaro, de Capella, Procedimento de Fobi e Cirurgia Duodenal-Switch são exemplos do emprego desta técnica que, além da restrição mecânica, restringe a alimentação por um mecanismo funcional do tipo Dumping – mal estar provocado pela ingestão de alimentos líquidos ou pastosos hipercalóricos – e, ainda, pela exclusão de parte do estômago do trânsito alimentar. Com isso, o hormônio grhelina, produzido no estômago, indutor de apetite, tem sua liberação minimizada.

Além dos métodos restritivos, disabsortivos e mistos, há o método endoscópico, em que um balão com cerca de 500mL de líquido é colocado dentro do estômago, diminuindo a capacidade gástrica e agindo favoravelmente à saciedade. Apesar de simples, este método também não é desprovido de complicações.

Síndrome de Down e sobrepeso

11 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

A Síndrome de Down (SD), que constitui uma das causas mais frequentes de deficiência mental, impõe desafios múltiplos aos acometidos e a todos envolvidos no seu crescimento e desenvolvimento.

Trata-se de uma desordem cromossômica, a trissomia do 21, que é responsável pelo retardo mental e aparência de seus portadores. Além do atraso no desenvolvimento, outros problemas de saúde podem ocorrer com o portador da SD como, por exemplo, hipotonia, cardiopatia congênita, problemas de audição, visão, alterações na coluna cervical, distúrbios da tireoide, problemas neurológicos, envelhecimento precoce e obesidade.

Alguns fatores contribuem para o excesso de peso. O primeiro deles é que muitas crianças com SD não são amamentadas por apresentarem sucção insuficiente devido ao tônus muscular diminuído ou por causa da baixa produção de leite materno, em decorrência do estresse emocional ocasionado pelo impacto da notícia. A ausência de aleitamento materno interfere no amadurecimento do controle neuro-endócrino da fome e saciedade, predispondo os indivíduos que não receberam leite materno exclusivamente até os seis meses a maiores chances de se tornarem obesos.

Ademais, muitos pais de crianças com SD buscam compensar seu erro cromossômico por meio da liberdade irrestrita de suas vontades, em que o ato de comer passa a assumir gigantescas proporções de contribuição para o excesso de peso. Já foi constatado que as crianças com SD obesas apresentam maior necessidade de consumir alimentos extremamente calóricos, ricos em gordura e açúcares quando comparadas com as que possuem peso saudável. E, sem dúvida, este comportamento decorre de interferência familiar.

Outro fator que pode contribuir para o excesso de peso é o padrão de crescimento das crianças e adolescentes portadores de SD. Seu crescimento é caracterizado por uma precocidade de início do estirão e uma velocidade reduzida no crescimento linear que resulta em baixa estatura quando comparado a população geral. A baixa estatura, associada ao comportamento alimentar inadequado, predispõe o indivíduo ao sobrepeso e obesidade.

O excesso de peso constitui fator de agravamento para outras enfermidades que acometem esse grupo populacional, como as cardiopatias e a hipotonia muscular, alem de ser fator de risco para distúrbios metabólicos. Desta forma, a avaliação do estado nutricional e a adequada atitude familiar em relação a alimentação são peças chaves para a qualidade de vida do portador da SD.

Fitoterapia no tratamento da obesidade – parte II

5 de setembro de 2010

Além dos fitoterápicos que agem diretamente sobre o centro da saciedade e lipólise, existem outros que estimulam a saciedade ou interferem no metabolismo, porém de formas diferentes as já citadas.

A faseolamina (Phaseolus vulgaris), extraída do feijão branco, age sobre a alfa amilase, enzima essencial para a degradação de amido, interferindo, assim, na capacidade absortiva dos carboidratos. Já a Punica granatum (romã) inibe a alfa glicosidase intestinal, atuando na velocidade de absorção de glicose, favorecendo a redução da hiperglicemia pós-prandial, além de ser um excelente antioxidante. Substâncias antioxidantes são essenciais para a diminuição da inflamação subclínica, característica importante da obesidade.

A Sprulina favorece a sensação de plenitude gástrica e possui efeito laxativo. É rica em antioxidantes, ácido gamalinoleico e em aminoácidos. É particularmente indicada para indivíduos vegetarianos por ser fonte de vitamina B12.

O Chitosan (quitosana) é um aminopolissacarídeo solúvel, não-digerível, obtido do exoesqueleto de caranguejos, lagostas e camarão que, quando ingerida, é solubilizada no estômago, transformando-se em um gel, favorecendo a plenitude gástrica e, redução da absorção intestinal de lipídeos. Indivíduos alérgicos a crustáceos não devem ingerir esse fitoterápico.

O Glucommanan é um polissacarídeo extraído da raiz do Amorphophallus konjac que, assim como a Sprulina e o Chitosan, possui ação indutora da saciedade, além de ser favorecer a diminuição da absorção de glicose, colesterol e triglicerídeos no intestino.

O Fucus vesiculosus (Fucus), algas pardas com alto teor de iodo e ácido algínico, estimula a tireóide regularizando a produção do hormônio tireotropina e acelerando o metabolismo de glicose e ácidos graxos. Também atua no aumento do transito intestinal e possui ligeira ação diurética.

Assim como estes fitoterápicos, existem tantos outros que podem ter ação coadjuvante na supressão de apetite e controle de peso. Para se obter benefícios com a utilização destes produtos, devemos individualizar a prescrição, adequando-a a necessidade de cada paciente. “Não é porque é planta, que é inócuo!”

 

A fitoterapia no tratamento da obesidade – parte I

3 de setembro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

Para a perda de peso, nada mais eficiente que uma alimentação equilibrada associada à atividade física supervisionada. Atualmente contamos também com fitoterápicos supressores de apetite, ferramentas que se somam na otimização pela busca do corpo desejado.

Caralluma fimbriata, Citrus arantium, Phaseolus vulgaris e tantos outros constantemente são mencionados na mídia, como se fossem fórmulas mágicas solucionadoras de todos os insucessos na perda de peso. Fórmulas mágicas não existem! Portanto, é importante conhecermos o mecanismo de ação destas plantas, a fim de se estabelecer a conduta mais adequada a cada caso.

A Caralluma fimbriata, por exemplo, possui glicosídeos de pregnano que agem no centro hipotalâmico da fome e aumentam a biodisponibilidade de serotonina, neurotransmissor essencial para a modulação do humor e hiperpolarização e ativação do centro da saciedade. Os glicosídeos também bloqueiam a enzima citrato liase, atuando na prevenção de acúmulo do tecido adiposo. Outro fitoterápico que também atua no centro da saciedade é a Rhodiola rosea (Rodiola) que interfere na ação da enzima monoaminoxidase, responsável pela degradação de serotonina e melatonina, otimizando, portanto, os níveis destes neurotransmissores, associados com a saciedade e regulação do sono, respectivamente.

A Griffonia simplicifolia é fonte natural de 5-hidroxitriptofano, precursor da serotonina e melatonina e, portanto, é coadjuvante no tratamento antidepressivo, na supressão de apetite e na regulação do sono.

A Garcinia cambogia interfere na síntese de ácidos graxos e, em decorrência do ácido hidroxícitrico, possui ação redutora de apetite, principalmente pelo sabor doce, assim como a Gymnema sylvestre, que também suprime a palatabilidade pelo sabor doce, além de favorecer um melhora do perfil lipêmico e melhor controle glicêmico, em sinergia ao cromo.

O Coleus forskohlii promove aumento da testosterona livre em homens, em sinergia ao Tribullus terrestris, favorecendo aumento de massa magra, além de agir na sensibilidade de receptores celulares. Estimula, também, a produção de AMPc e, consequentemente, a lipólise, assim como o Citrus arantium (laranja amarga), que é rica em sinefrina, substituto da efedrina. Camellia sinensis e Paullinia cupana também são fitoterápicos que atuam na produção de catecolaminas, estimulando a beta oxidação.

O extrato protéico da batata, patenteado como slendesta, possui em sua composição o inibidor da proteinase II, que promove o aumento da liberação da colcistoquinina, responsável pelo sinal inicial da sensação de saciedade, além de inibir a expressão de peptídeos orexígenos no hipotálamo e previnir a estimulação dos neurônios pela ghrelina, hormônio responável pela sensação de fome.

O extrato 20:1 de Cordio salicifolia, patenteado como pholiamagra, é rico em taninos, princípios amargos, alantoína e cafeína. Possui atividade inibidora sobre o SNC, suprimindo o apetite e, assim como o Citrus arantium e Coleus forskohlii, promove melhora da performance durante a atividade física.

Por que engordamos??

16 de agosto de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

Em 98% dos casos a obesidade é do tipo poligênica e, para ser desenvolvida, é necessário uma interação entre predisposição genética e fatores externos. Segundo George Bray, “a genética carrega a arma e o ambiente aperta o gatilho”. Na maioria das vezes, portanto, é uma doença endócrino-metabólica crônica e heterogênea, com forte base genética, que se apresenta quando associada a fatores ambientais. Ela é multicausal, sendo decorrente de fatores genéticos e ambientais, dentre os quais destacam-se o desequilíbrio energético e perfil inflamatório da dieta. Apenas 2% dos casos de obesidade são do tipo monogênica, ou seja, independem de fatores externos e ocorrem por causa de mutações genéticas.

O alto teor de gordura saturada, gordura trans, ômega 06 e elevada quantidade de carboidratos simples favorecem esta resposta metabólica no organismo. Nas nossas células nós temos um receptor do tipo TLR que pode ser ativado na presença dessas substâncias e, quando isso ocorre ativa-se dentro da célula um fator de transcrição gênica que é o NFkappaB, altamente inflamatório. O NFkappaB estimula a produção de mediadores inflamatórios no organismo que, dentre outras conseqüências, favorece a liberação do cortisol, hormônio ligado diretamente ao acúmulo de gordura abdominal e envolvido em outras desordens metabólicas como, por exemplo, a resistência a insulina. Outras situações favorecem a liberação do cortisol: jejum prolongado, atividade física extenuante sem uma alimentação prévia adequada e, o stress. Portanto, estas três situações também servem de gatilho para a liberação do cortisol e, consequentemente, desenvolvimento da gordura visceral.

Além disso, quando consumimos altas concentrações de aditivos alimentares como corantes, acidulantes, conservantes, adoçantes sintéticos e agrotóxicos e toxinas como o bisfenol, presente no plástico, se não tivermos um fígado bem funcionante capaz de transformar essas substâncias estranhas em substâncias excretáveis, elas acabam sendo armazenadas nas células de gordura. Chegando lá, se ligam facilmente a um receptor chamado PPARgama que leva a diferenciação de pré-adipócitos a adipócitos, ou seja, favorece o aumento da capacidade de acúmulo de gordura. Antigamente acreditava-se que tínhamos uma quantidade pré-determinada de células adiposas que não podia ser modificada. Hoje, com a obesidade caracterizada como inflamação sub-clínica, tem-se a certeza que fatores externos podem estimular a multiplicação das células adiposas.

Todos estes fatores listados, além da inflamação no organismo, causam o estresse oxidativo, ou seja, favorecem a ação dos radicais livres no organismo. A inflamação sub-clínica anda de mãos dadas com o estresse oxidativo. Tanto que muitas das complicações da obesidade são decorrentes da ação dessas substâncias sobre as nossas estruturas celulares: os radicais livres reagem com nossas estruturas comprometendo as funções de nossas células. Portanto, precisamos de uma dieta antioxidante e anti-inflamatória!