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A tríade da mulher atleta

7 de outubro de 2010

Fonte:www.gettyimages.com.br

Enquanto exercícios moderados promovem benefícios substanciais à saúde, exercícios intensos podem se relacionar com inúmeros efeitos deletérios a saúde feminina. Muitas atletas desenvolvem desordens alimentares, amenorréia (ausência de menstruação) e osteoporose prematura com a prática intensa de exercícios. Este fato é tão comum que o American College of Sports Medicine o denominou como a “Tríade da Mulher Atleta” (TMA)

A TMA provavelmente ocorre em decorrência de uma nutrição inadequada combinada ao treinamento excessivo pelo qual as atletas são submetidas. Muitas jovens atletas acabam por desenvolver desordens alimentares em consequência à rígida rotina a qual são submetidas, se sentindo controladas em muitos aspectos. Evidências mostram que muitas aderem a dietas com baixa quantidade de gordura, as quais influenciam o ciclo menstrual, tornando-o mais escasso. Além disso, atletas com ingestão calórica insuficiente tendem a apresentar baixos níveis de T3 e níveis elevados de cortisol, que também interferem de forma negativa no padrão menstrual.

Vários mecanismos têm sido descritos para explicar esse fenômeno e, um dos mais importantes se refere à liberação de opioides endógenos, como as beta endorfinas, com a prática intensa de exercícios. Atletas de alto rendimento liberam grande quantidade de  beta endorfinas, as quais influenciam uma diversidade de funções hipotalâmicas, favorecendo alterações na regulação da reprodução, implicando em distúrbio menstrual caracterizado pela diminuição de estrogênio e progesterona.

A produção adequada de estrogênio e progesterona se faz necessária para manter a integridade mineral do osso. O estrogênio atua beneficamente no osso por meio de vários mecanismos que resultam numa ação anti-reabsortiva. A progesterona também age na formação óssea, influenciando a atividade osteoblástica.

Os efeitos benéficos do exercício, portanto, podem ser perdidos nas atletas que desenvolvem amenorréia. Diminuição crônica de estrogênio, que é observada nas mulheres que não possuem um padrão adequado de menstruação, acarreta retardo na maturação de centros ósseos na coluna e predispõe à instabilidade vertebral e curvatura. Foi constatado que a osteoporose prematura em jovens atletas pode ser irreversível mesmo com suplementação de cálcio, reinício da menstruação e terapia de reposição de estrogênio.

Para atletas portadoras de uma ou mais desordens da tríade, o primeiro passo para se contornar tal situação é atingir o peso corporal  ideal ou a porcentagem ideal de gordura corporal. A efetividade da intervenção dietética, entretanto, pode ser limitada para atletas que possuem história de desordem alimentar ou que possuem hábitos alimentares pouco saudáveis. Nutricionistas, profissionais de educação física e psicólogos devem atuar em conjunto no tratamento da TMA.

Elemento tóxico: chumbo

3 de outubro de 2010

O chumbo (Pb) foi um dos primeiros metais pesados a ser identificado. Sua descoberta data de 3500 aC, no Egito. Este elemento tóxico é encontrado difundido no ambiente, em alimentos e bebidas. Nas plantas, pode ser encontrado graças à poluição ambiental, improvável que seja pela extração do solo.

As vias de contaminação são três: via cutânea, ingestão e inalação. A via primária de contaminação são os alimentos e, bons candidatos à contaminação são as frutas, os vegetais folhosos, cereais, moluscos e os vinhos. Para alguns trabalhadores, a via de contaminação é a inalação.

Assume-se que 30% do Pb inalado são absorvidos e, de 5 a 10% do Pb ingerido são absorvidos. Quando absorvido,entra na corrente sanguínea e alcança ossos e tecidos. Pode ser acumulado nos tecidos com o decorrer dos anos, principalmente nos ossos, na aorta, fígado, pulmão, rim, e no baço. É gradualmente excretado via bile no intestino delgado e eliminado pelas fezes. Entretanto, a principal via de excreção é urinária e, portanto, bom marcador bioquímico para avaliação de contaminação por este elemento tóxico é o chumbo urinário.

O sistema nervoso de crianças é muito sensível ao Pb e nos adultos, a exposição excessiva pode ocasionar neuropatologia periférica e/ ou crônica. Corriqueiramente, quando expostos, os adultos desenvolvem hipertensão. A síntese do heme também pode ser comprometida: o Pb, assim como o cádmio e o alumínio, possui afinidade por sítios de ligação enzimáticos, ocupando o local originalmente dos minerais, comprometendo, assim, cascatas de reações bioquímicas no organismo. Portanto, interfere na produção do heme e como consequência gera anemia e, interfere na fixação de cálcio nos ossos, comprometendo a formação óssea.

Além disso, o Pb é classificado como um carcinógeno. Sua toxicidade grave também pode acarretar aborto, esterilidade, mortalidade e morbidade neonatal.

A tolerância ao Pb varia conforme idade, formas, fontes e composição da dieta. As taxas de deposição, retenção e absorção dependem do tamanho da partícula e de sua forma físico-química. Crianças e gestantes são grupo de risco. Na gestação, pelo aumento da necessidade de cálcio, o processo de reabsorção óssea é estimulado e, no caso das mulheres contaminadas, há intensa liberação do chumbo, que pode ocasionar danos diversos tanto na mãe quanto no concepto.

Saúde óssea: muito além do cálcio

21 de setembro de 2010

Fonte: www.gettyimages.com.br

A osteoporose é uma patologia sistêmica progressiva caracterizada pela deterioração da microarquitetura óssea e, como consequência, gera um risco aumentado de fraturas.

Fisiologicamente o osso é continuamente formado por osteoblastos e reabsorvido pelos osteoclastos. Geralmente, salvo nos casos dos ossos em crescimento, há equilíbrio entre deposição e reabsorção óssea; todavia, na osteoporose, a atividade osteoclástica supera a atividade osteoblástica, favorecendo, então, diminuição da densidade mineral óssea.

São muitos os fatores que favorecem a osteoporose e, dentre os alimentares, chama-se atenção para a dieta rica em resíduos ácidos e, deficiente nos nutrientes envolvidos na manutenção óssea.

Portanto, para a prevenção e tratamento da osteoporose, a dieta se mostra um importante coadjuvante. A alcalinização sanguínea favorece a diminuição da atividade osteoclastica e, os principais nutrientes envolvidos na manutenção do pH sanguíneo são potássio, magnésio, cálcio e, em menor proporção, zinco. A dieta alcalina é rica em produtos de origem vegetal, como frutas, hortaliças e cereais integrais.

Para o osso ser formado, dependemos da presença de minerais, vitaminas e aminoácidos. Dentre os minerais, destacam-se: magnésio, que permite o direcionamento de cálcio para os ossos, ou seja, dieta sem magnésio não garante cálcio nos ossos; cálcio, que garante a manutenção da integridade do esqueleto, participando da resistência mecânica do tecido ósseo à carga; o cobre, envolvido na incorporação de colágeno e elastina à matriz óssea; zinco que age positivamente na produção dos osteoblastos; manganês, requisitado na produção de proteínas da matriz orgânica; potássio, que assim como o boro, diminui a excreção urinária de cálcio, além de melhorar o balanço ácido e; silício, que age na síntese e estabilização de colágeno e na mineralização da matriz óssea.

Dentre as vitaminas envolvidas na formação e manutenção óssea, destaca-se a vitamina D, que otimiza a absorção intestinal de cálcio, assim como o aminoácido lisina; vitamina K, precursora do ácido gama oxiglutâmico, essencial para a carboxilação da osteocalcina e, portanto, envolvida na fixação do cálcio e; a vitamina C, imprescindível para a formação de colágeno.

Vale ressaltar que só há formação óssea se a trabécula estiver formada e, para o seu desenvolvimento, é necessário a presença de minerais como cobre, zinco e magnésio.

Além dos nutrientes citados, substâncias bioativas, com ação estrogênio símile, também favorecem uma melhor manutenção óssea: resveratrol, presente nas frutas roxas, lignanas, na linhaça e azeite extra virgem e isoflavonas, presente na soja, são exemplos de fitoquímicos com esta ação.

Elemento tóxico: alumínio

27 de julho de 2010

O alumínio (Al) é o segundo elemento mais comum na crosta terrestre e, apesar de ser um metal encontrado em abundância raramente é encontrado livre. Seu isolamento foi conseguido em 1827 por  Friedrich Wöhler.

O Al é um mineral extremamente versátil, entretanto sem nenhuma função essencial em animais ou seres humanos. É utilizado em grande diversidade de produtos como, por exemplo, em pastas de dente, materiais de embalagens, pigmentos de tinta, cosméticos, utensílios de cozinha e aditivos alimentares. Estudos comprovam que a migração de Al de panelas e embalagens pode ser considerada desprezível, salvo nos casos em que se cozinham alimentos ácidos em panelas não revestidas.

O excesso de Al pode  causar consitpação intestinal e cólicas, além decomprometer a absorção de selênio e potássio. Implica, ainda, numa formação óssea diminuída,  na medida em que interfere na ação ostoblástica, favorecendo osteomalácia ou osteopenia.  Anemia microcítica e hipocrômica não acompanhada da deficiência de ferro também é outra consequência bem descrita na literatura. Isso ocorre porque, assim como os outros elementos tóxicos, a Al pode ocupar sítios de ação enzimáticos, comprometendo sucessivas reações bioquímicas no organismo e, dentre eles a eritropoiese. A exposição excessiva de Al também já foi relacionada com a ocorrência de doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer.

Geralmente, bebidas são maiores fontes de Al, seguidas de alimentos de origem animal e vegetal. Consideram-se alimentos com alta concentração de Al de quando os valores ultrapassam 1mg/kg. Leite, produtos lácteos e cereais contribuem com cerca de 60% da ingestão diária deste metal. Gomas e chicletes também são fontes importantes. Porém, indivíduos saudáveis, com função renal bem estabelecida, normalmente conseguem excretar o excesso de Al.

Os riscos são expressivos para aqueles que utilizam habitualmente medicamentos anti-ácidos com Al em sua composição e para os pacientes com insuficiência renal crônica, que podem ter a excreção deste metal comprometida.

Elemento tóxico: cádmio

25 de julho de 2010

Em decorrência da crescente industrialização, a contaminação do meio ambiente por metais pesados atinge uma dimensão mundial jamais vista. Na década de 50, a partir de estranhas epidemias, aumentou-se o interesse pelos metais pesados, dentre os quais se destacam  mercúrio (Hg), chumbo (Pb), arsênico (As),  alumínio (Al) e o cádmio (Cd). Neste texto, nosso foco será este último metal pesado, que foi descoberto em 1817, por Strohmeyer, na Alemanha.

O Cd é amplamente utilizado em revestimento de metais, pois tem ação anticorrosiva. É também empregado na indústria de plásticos, como estabilizadores; em tintas, como pigmento; em baterias e; como contaminantes nos fertilizantes. Vegetais e cereais, portanto,  devem ser consumidos preferencialmente orgânicos: os não orgânicos, assim como crustáceos e moluscos, podem possuir quantidades expressivas de Cd. Entretanto, o Cd inalado é bem mais absorvido que o ingerido, caracterizando os fumantes como os mais suscetíveis à contaminação por este metal pesado.

A meia vida do cádmio no organismo pode variar entre 16 a 33 anos e seus efeitos são diversos: a ingestão de alimentos ou bebidas altamente contaminados pode causar sintomatologia aguda caracterizada por vômitos e diarreia.

Cronicamente, o efeito mais expressivo da intoxicação é a sobrecarga renal, caracterizada por insuficiência renal que leva a perda anormal de proteínas. A contaminação  pode implicar, ainda,  na diminuição da absorção de cálcio e aumento de sua excreção no trato digestório, favorecendo osteoporose e a osteomalácia; anemia ferropriva em decorrência da competição com o ferro; câncer de pulmão e próstata e; a inalação pode causar reação inflamatória aguda nos pulmões, favorecendo cronicamente afecções como bronquite e enfisema. 

O marcador biológico mais sensível para se verificar a contaminação por Cd é o cádmio urinário. Em decorrência de sua meia vida longa, é essencial que tomemos atitudes preventivas à exposição deste metal pesado: uma adequada alimentação, baseada em alimentos orgânicos, com níveis suficientes de zinco, cobre, ferro, cálcio e selênio, mostra-se efetiva na diminuição da absorção deste metal pesado, já que o Cd ocupa sítio de ação das metalotioneínas, que, inicialmente deveriam ser ocupadas por minerais. Portanto, se os seus níveis estiverem adequados, a ligação do Cd a essas enzimas é impedida e com isso, sua excreção, facilitada.