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Ganho de peso e desfechos gestacionais

27 de outubro de 2010

A identificação do estado nutricional durante a gestação é essencial para corrigir possíveis desvios nutricionais e para traçar condutas dietéticas eficientes que garantam o sucesso da gestação. O diagnóstico e o acompanhamento nutricional da gestante contribuem para a promoção da saúde e para a diminuição de riscos para a mulher e para o bebê, mostrando-se essencial para o estabelecimento de intervenções precoces e eficazes no pré-natal.

O potencial de crescimento fetal normal depende de variáveis biológicas, patológicas e sócio-econômicas. Dentre as condições biológicas, destacam-se a idade e altura maternas, número de partos e sexo do recém nascido; dentre as patológicas, estado nutricional materno inadequado, síndromes hipertensivas da gestação e diabetes gestacional e; dentre as variáveis sociais, destacam-se educação materna, renda familiar e riscos comportamentais como tabagismo que podem estar associados ao estresse psicosocial.

Quanto ao estado nutricional inadequado, tanto o excesso quanto o déficit de peso podem comprometer a saúde do binômio materno-fetal, favorecendo a programação metabólica. A obesidade pode se associar ao diabetes gestacional, hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, hemorragia após o parto, infecções do trato urinário, anomalias e macrossomia fetais, parto prematuro e necessidade de partos cesáreos. Já o baixo peso gestacional se associa pricinpalmente ao baixo peso ao nascer (BPN) e à prematuridade.

Segundo o Institute of Medicine para as mulheres que eram classificadas como baixo peso pelo Índice de Massa Corporal (IMC) antes da gestação, se recomenda o ganho de 12.700g a 18.143g durante todo o período gestacional; para aquelas que iniciaram a gravidez com o peso adequado, de 11.339g a 15.875g; paras que eram sobrepeso antes da gravidez, entre  6.803g e 11.339g e; para as que eram obesas, o ganho ponderal deve ser entre 4.989g e 9.071g durante todo o período gestacional.

Os indicadores antropométricos são úteis para classificar as mulheres em risco nutricional e predizer efeitos adversos tanto para a mãe quanto para a criança. Com a finalidade de se avaliar seguramente o perfil antropométrico das gestantes, o Ministério da Saúde (MS), atualmente, utiliza como referência para este diagnóstico o método de Atalah. Este método se baseia no IMC calculado pela divisão da massa corporal em quilogramas pelo quadrado da estatura em metros, corrigido para a idade gestacional.

A avaliação antropométrica é essencial para o estabelecimento das necessidades nutricionais maternas que possibilitará o adequado desenvolvimento do concepto, uma vez que durante a gravidez o organismo materno passa por diversas alterações fisiológicas para suprir tanto as necessidades maternas quanto fetais. A identificação precoce de inadequação do estado nutricional permite, portanto, melhora da situação nutricional materna e afeta positivamente o resultado da gravidez.

Nutrição fetal: essencial para a saúde na vida adulta!

9 de junho de 2010

A alimentação da mulher na fase pré-natal é de extrema importância para a qualidade de vida do futuro adulto que está sendo gerado: a má nutrição do feto em diversos estágios da gestação pode trazer consequências não apenas ao desenvolvimento infantil, mas também consequências que podem perdurar durante toda a vida. A nutrição inadequada nesta fase predispõe o indivíduo a doenças crônicas não transmissíveis, como, por exemplo, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e câncer ao longo da vida. Esse fenômeno é conhecido como programação metabólica ou imprinting metabólico. Tanto a alimentação com excesso de açúcares simples e gorduras na fase pré-natal quanto a  ingestão dietética insuficiente neste perído favorece essa programação.

A programação metabólica tem estreita relação com a a nutrição da mãe. Durante a formação do feto, o DNA celular é quase que continuamente replicado e, para que este processo ocorra adequadamente, dependemos da presença de substâncias conhecidas como grupo metil. Onde as conseguimos? Na alimentação! Caso falte ou sobre grupos metil,  mutações epigenéticas, que são alterações estáveis na expressão gênica ao longo das divisões celulares, sem mutações na sequência do DNA, podem ocorrer. Para que as sequências de DNA sejam replicadas corretamente, portanto,  é essencial quantidade adequada de grupo metil.

Os principais nutrientes e substâncias bioativas doadores de grupo metil são: ácido fólico, presente em vegetais de tons verdes escuros; vitamina B6, em carnes e cereais integrais; colina, presente na gema do ovo e na soja; cobalamina, presente em carnes, ovos e leite;  polifenois, presentes em frutas e hortaliças; metionina, em produtos de orgiem animal, amaranto e quinoa; selênio, presente nas oleaginosas ; vitamina A, presente em leite e derivados; beta caroteno, em vegetais amarelos, alaranjados e verdes escuros e;  zinco, presente em carnes e cereais integrais.

Não temos como fugir: para saúde, desde o princípio da vida, dependemos de uma alimentação saudável e equilibrada: tanto a falta quanto o excesso podem favorecer o silenciamento ou expressão de genes chaves para a regulação do nosso metabolismo.