A identificação do estado nutricional durante a gestação é essencial para corrigir possíveis desvios nutricionais e para traçar condutas dietéticas eficientes que garantam o sucesso da gestação. O diagnóstico e o acompanhamento nutricional da gestante contribuem para a promoção da saúde e para a diminuição de riscos para a mulher e para o bebê, mostrando-se essencial para o estabelecimento de intervenções precoces e eficazes no pré-natal.
O potencial de crescimento fetal normal depende de variáveis biológicas, patológicas e sócio-econômicas. Dentre as condições biológicas, destacam-se a idade e altura maternas, número de partos e sexo do recém nascido; dentre as patológicas, estado nutricional materno inadequado, síndromes hipertensivas da gestação e diabetes gestacional e; dentre as variáveis sociais, destacam-se educação materna, renda familiar e riscos comportamentais como tabagismo que podem estar associados ao estresse psicosocial.
Quanto ao estado nutricional inadequado, tanto o excesso quanto o déficit de peso podem comprometer a saúde do binômio materno-fetal, favorecendo a programação metabólica. A obesidade pode se associar ao diabetes gestacional, hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, hemorragia após o parto, infecções do trato urinário, anomalias e macrossomia fetais, parto prematuro e necessidade de partos cesáreos. Já o baixo peso gestacional se associa pricinpalmente ao baixo peso ao nascer (BPN) e à prematuridade.
Segundo o Institute of Medicine para as mulheres que eram classificadas como baixo peso pelo Índice de Massa Corporal (IMC) antes da gestação, se recomenda o ganho de 12.700g a 18.143g durante todo o período gestacional; para aquelas que iniciaram a gravidez com o peso adequado, de 11.339g a 15.875g; paras que eram sobrepeso antes da gravidez, entre 6.803g e 11.339g e; para as que eram obesas, o ganho ponderal deve ser entre 4.989g e 9.071g durante todo o período gestacional.
Os indicadores antropométricos são úteis para classificar as mulheres em risco nutricional e predizer efeitos adversos tanto para a mãe quanto para a criança. Com a finalidade de se avaliar seguramente o perfil antropométrico das gestantes, o Ministério da Saúde (MS), atualmente, utiliza como referência para este diagnóstico o método de Atalah. Este método se baseia no IMC calculado pela divisão da massa corporal em quilogramas pelo quadrado da estatura em metros, corrigido para a idade gestacional.
A avaliação antropométrica é essencial para o estabelecimento das necessidades nutricionais maternas que possibilitará o adequado desenvolvimento do concepto, uma vez que durante a gravidez o organismo materno passa por diversas alterações fisiológicas para suprir tanto as necessidades maternas quanto fetais. A identificação precoce de inadequação do estado nutricional permite, portanto, melhora da situação nutricional materna e afeta positivamente o resultado da gravidez.